As ações do Inter ampliaram as perdas nos últimos pregões após a divulgação do balanço do primeiro trimestre de 2026 e da nova estratégia de crescimento apresentada pela companhia ao mercado. Os papéis acumulam queda próxima de 20% em três sessões na Nasdaq, movimento que passou a refletir dúvidas de investidores sobre a capacidade do banco de atingir as metas de rentabilidade anunciadas pela administração.
O banco apresentou lucro recorde de R$ 395 milhões no primeiro trimestre, avanço de 37,8% na comparação anual, além de retorno sobre patrimônio líquido (ROE) de 15,5%. Apesar dos números positivos, analistas destacaram piora nos indicadores de inadimplência e aumento das preocupações sobre qualidade dos ativos da carteira de crédito.
O principal ponto de atenção do mercado, porém, passou a ser a nova estratégia chamada de “Regra dos 50”, apresentada pelo Inter durante reuniões com investidores. A proposta prevê que a soma entre crescimento de receita líquida e ROE fique próxima de 50% até 2029, em um plano que também mira rentabilidade perto de 30% no longo prazo.
A meta elevou o ceticismo entre analistas. Relatórios de instituições financeiras como JP Morgan e UBS BB passaram a indicar que o mercado ainda não incorporou um cenário de ROE de 30% nas projeções da companhia. As estimativas mais conservadoras apontam retorno entre 20% e 22% até 2029, abaixo da meta divulgada pelo banco digital.
Analistas também avaliam que o novo plano amplia a pressão sobre a execução operacional do banco nos próximos anos. Entre os fatores monitorados pelo mercado estão expansão da carteira de crédito, margem financeira, inadimplência e capacidade de monetização da base de clientes dentro do ecossistema digital do Inter.
O JP Morgan afirmou em relatório que a recente correção das ações pode ter sido excessiva, mas ponderou que investidores ainda aguardam sinais mais concretos de melhora operacional antes de reprecificar o papel. Já o UBS BB manteve recomendação de compra, embora tenha reduzido o preço-alvo das ações diante de um cenário considerado mais desafiador para a entrega das metas anunciadas.
Mesmo com a reação negativa de curto prazo, parte do mercado vê potencial de recuperação para os papéis caso o banco consiga avançar em rentabilidade sem deteriorar a qualidade da carteira de crédito. Relatórios publicados nesta semana apontam possibilidade de valorização relevante das ações nos próximos anos caso a companhia consiga aproximar os indicadores dos objetivos divulgados pela administração.
O Inter encerrou os últimos pregões entre as maiores quedas do setor financeiro na Nasdaq. A movimentação ocorreu em meio a um período de forte sensibilidade do mercado a balanços bancários e projeções de crescimento, especialmente após resultados mistos apresentados por instituições financeiras brasileiras no primeiro trimestre.









