
O chairman e sócio do BTG Pactual, André Esteves, afirmou nesta terça-feira, 12, que o caso envolvendo o Banco Master revelou uma “falha grande” de supervisão no sistema financeiro brasileiro e indicou que as irregularidades identificadas sugerem um problema estrutural que não foi interrompido a tempo pelas autoridades responsáveis pelo monitoramento do setor bancário.
As declarações foram feitas durante participação no Fórum Brazil Insights, promovido pela revista Veja durante a Brazil Week, em Nova York.
Sem mencionar diretamente o Banco Central, Esteves afirmou que houve uma falha regulatória relevante no acompanhamento da situação do Master e comparou o funcionamento da instituição a uma estrutura semelhante a um esquema de pirâmide financeira.
“Eu acho que a gente teve uma falha regulatória grande, uma falha de supervisão, que aparentemente está ligada a uma irregularidade. Eu acho que a gente viu nascer um esquema meio de pirâmide. E a gente não conseguiu ter a capacidade de consertar esse rumo num momento mais anterior do estágio”, declarou.
A fala ocorre em meio ao aprofundamento das investigações sobre o Banco Master, que já envolvem a Polícia Federal, o Supremo Tribunal Federal e apurações relacionadas a supostas fraudes financeiras, pagamentos de propina e movimentações patrimoniais ligadas ao ex-controlador Daniel Vorcaro.
Segundo Esteves, o episódio deve servir como ponto de inflexão para aperfeiçoamento institucional do sistema financeiro brasileiro.
Para o executivo, o colapso do banco precisa ser utilizado como oportunidade para fortalecer mecanismos de controle, supervisão e regulação do mercado bancário.
“Aconteceu a explosão; que agora a gente use a explosão para melhorar os controles, as regulações. Que a gente use o episódio para a gente dar um passo institucional”, afirmou.
As declarações reforçam a preocupação crescente do mercado financeiro com os impactos reputacionais e regulatórios provocados pelo caso Master, que se tornou um dos principais focos de tensão do sistema bancário brasileiro nos últimos meses.
Além das investigações criminais, o caso também passou a levantar questionamentos sobre fiscalização de operações estruturadas, venda de ativos de crédito e monitoramento de instituições financeiras de médio porte.
No mês passado, André Esteves já havia comentado o assunto ao afirmar que o BTG analisava oportunidades envolvendo ativos do Banco de Brasília (BRB), mas descartava qualquer interesse nos ativos herdados do Banco Master.
“Já compramos ativos, estamos olhando outros ativos do BRB, mas não vamos olhar os do Master”, disse na ocasião.
Durante o evento em Nova York, Esteves também comentou o cenário econômico brasileiro e afirmou que o próximo presidente da República deverá encontrar um ambiente macroeconômico relativamente estável, apesar dos desafios fiscais ainda existentes.
Segundo ele, o Brasil não vive uma situação de “terra arrasada” e mantém indicadores considerados positivos em áreas importantes da economia.
“Quem sentar na cadeira não vai pegar terra arrasada. Vai pegar uma inflação de 3,5%, 4% ao ano. O déficit de corrente é menor do que o investimento direto externo. Desemprego está baixo, mercado de capitais é pujante, funcional”, afirmou.
O executivo ponderou, no entanto, que o país ainda precisa avançar em ajustes fiscais estruturais para consolidar a estabilidade econômica no longo prazo.
“Falta ainda alguma coisa, que é um last mile de ajuste fiscal”, completou.
As declarações de Esteves acontecem em um momento em que o mercado acompanha simultaneamente o avanço das investigações sobre o Master, o ambiente de juros elevados e as discussões sobre credibilidade regulatória no sistema financeiro brasileiro.










