A atividade econômica brasileira apresentou perda de ritmo em março, mas o cenário ainda não indica uma desaceleração abrupta da economia nos próximos meses, segundo avaliação do Bank of America. Para a instituição, o enfraquecimento recente ocorre em meio aos efeitos da política monetária restritiva, embora parte desse impacto continue sendo compensada pela expansão dos gastos públicos.
O diagnóstico foi divulgado após a publicação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado um dos principais termômetros antecedentes do Produto Interno Bruto. O indicador registrou retração de 0,7% em março na comparação mensal com ajuste sazonal, resultado abaixo das projeções do mercado financeiro.
De acordo com os analistas do banco, o desempenho negativo foi influenciado principalmente pela piora do setor de serviços, especialmente nas atividades ligadas ao transporte. A elevação internacional do petróleo, intensificada pelas tensões geopolíticas envolvendo o Irã, pressionou os preços dos combustíveis e afetou diretamente segmentos mais dependentes de logística e mobilidade.
Apesar da queda observada em março, o BofA destaca que a economia brasileira ainda apresentou crescimento relevante no acumulado do primeiro trimestre. Entre janeiro e março, a atividade avançou 1,3% na comparação trimestral dessazonalizada, acima do ritmo observado no trimestre anterior. Para o banco, esse comportamento reforça a leitura de desaceleração gradual, e não de contração econômica mais severa.
O relatório também aponta que o principal suporte da atividade no curto prazo deve continuar vindo da política fiscal. Segundo os economistas, houve forte expansão das despesas do governo em termos reais, impulsionada pelo pagamento adicional de precatórios e pela ampliação de gastos discricionários. Embora o banco avalie que parte desse movimento represente antecipação de despesas, o efeito ainda tende a sustentar o nível de atividade nos próximos meses.
Além dos dados correntes, o Bank of America observa sinais mistos nos indicadores antecedentes. Enquanto a confiança do consumidor apresentou melhora em abril, os indicadores ligados ao ambiente empresarial mostraram deterioração em relação ao mês anterior. O banco também identificou desaceleração em seu indicador coincidente de atividade, embora ainda apontando expansão econômica na comparação anual.
Mesmo diante da perda de força observada nos dados mais recentes, a instituição manteve suas projeções para o crescimento do PIB brasileiro em 2026 e 2027. O cenário-base do banco também continua prevendo cortes graduais da taxa Selic ao longo do ciclo de flexibilização monetária conduzido pelo Banco Central.









