A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), entidade que representa Azul, Gol Linhas Aéreas e LATAM Airlines, alertou que as companhias irão reduzir, em média, 121 voos diários no próximo mês diante da forte disparada do preço do querosene de aviação (QAV) após a escalada da guerra no Oriente Médio.
Os cortes atingirão principalmente rotas das regiões Norte e Nordeste e representam uma intensificação da crise operacional enfrentada pelo setor. Em maio, as companhias já haviam reduzido pouco mais de 90 voos por dia. Agora, a estimativa é de cerca de 3,7 mil decolagens canceladas ao longo de junho.
Segundo a Abear, o combustível praticamente dobrou de preço desde o início do conflito envolvendo Irã e Estados Unidos, saltando de R$ 3,30 para R$ 6,65 por litro. O avanço ocorreu em meio à disparada do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelas tensões envolvendo o Estreito de Ormuz, região estratégica por onde passa cerca de 20% da produção mundial da commodity.
Com a explosão dos custos, o querosene passou de aproximadamente 32% para 46% da estrutura total de despesas das companhias aéreas brasileiras.
O presidente da Abear, Juliano Noman, afirmou que as empresas tentam preservar a conectividade aérea do país reduzindo frequências e utilizando aeronaves menores, evitando, neste momento, abandonar cidades atendidas pelas companhias.
“Estamos reduzindo a oferta, o tamanho do avião para não desatender os destinos. Mas a pior face da crise é o desatendimento de um destino ou quando a indústria devolve uma aeronave para o fabricante, porque a retomada não é tão simples”, afirmou.
Apesar da redução de voos, a entidade informou que nenhuma cidade atendida atualmente por Azul, Gol e Latam deixou de receber operações aéreas até o momento.
O setor também prevê pressão significativa sobre os preços das passagens nos próximos meses. Segundo a associação, as tarifas podem subir até 30% caso o petróleo permaneça elevado e o custo do combustível continue pressionando as operações.
Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que os bilhetes aéreos já acumulam forte alta. Em abril, as passagens ficaram 9% mais caras na comparação anual. Em março, o avanço havia sido ainda maior, de 17%.
Recentemente, a Azul informou que o setor já realizou nove reajustes de preços apenas neste ano, refletindo o aumento contínuo dos custos operacionais e do combustível.
Nos bastidores da indústria aérea, há preocupação crescente de que um prolongamento da crise geopolítica possa provocar uma deterioração mais severa da malha aérea doméstica, especialmente em regiões dependentes de voos de menor rentabilidade, como cidades médias e destinos afastados dos grandes centros econômicos.
Além do combustível, o setor também continua pressionado pelo dólar elevado, pelos custos de leasing das aeronaves e pelo ambiente de juros altos no Brasil, que dificulta tanto o financiamento das companhias quanto a recuperação da demanda em algumas rotas.










