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UBS reduz aposta no Brasil e aponta três riscos para a economia

Relatório aponta que eleições, juros mais altos e preocupações com a dívida pública reduzem potencial da Bolsa

O UBS passou a adotar uma postura mais cautelosa em relação ao mercado acionário brasileiro e reduziu sua recomendação para as ações do país de “atrativa” para “neutra”. A mudança ocorre após um forte ciclo de valorização dos ativos locais e reflete a avaliação de que os principais fatores que impulsionaram a Bolsa nos últimos meses perderam intensidade, enquanto novos riscos ganham relevância no horizonte.

Segundo o banco, desde meados de 2025 o mercado brasileiro registrou uma recuperação expressiva, acumulando valorização próxima de 25% em moeda local e de 38% quando convertida para dólares. Esse desempenho foi sustentado tanto pelo crescimento dos lucros corporativos quanto pela expansão dos múltiplos das empresas listadas. Na visão do UBS, porém, parte relevante desse movimento já incorporou as expectativas mais positivas para a economia e para os resultados das companhias.

O principal fator de preocupação destacado pelo relatório é o ambiente eleitoral. Com a aproximação da disputa presidencial de outubro, o banco avalia que os investidores tendem a exigir um prêmio maior para permanecer expostos aos ativos brasileiros. Historicamente, períodos pré-eleitorais costumam aumentar a sensibilidade do mercado a pesquisas de intenção de voto, propostas econômicas e possíveis mudanças na condução da política fiscal, monetária e regulatória.

Outro ponto levantado pelo UBS é a revisão das expectativas para a política monetária. Quando o Banco Central iniciou o ciclo de flexibilização dos juros, havia uma expectativa de cortes mais intensos da Selic ao longo de 2026. No entanto, a persistência das pressões inflacionárias, somada ao aumento dos preços da energia e às incertezas globais, levou o mercado a recalibrar suas projeções. Atualmente, a expectativa predominante é de um espaço mais limitado para novas reduções da taxa básica até o fim do ano, diminuindo um dos principais vetores de valorização da renda variável.

O banco também demonstra preocupação com a trajetória das contas públicas em um ambiente de ano eleitoral. O relatório destaca que medidas de estímulo fiscal e expansão de gastos podem ampliar dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida pública brasileira. Na avaliação da instituição, esse cenário tende a pressionar o prêmio de risco exigido pelos investidores, além de aumentar a vulnerabilidade do real em momentos de maior aversão ao risco nos mercados internacionais.

Apesar da mudança de recomendação, o UBS não vê deterioração relevante nos fundamentos das empresas brasileiras. O banco ressalta que os resultados corporativos permanecem resilientes e que as avaliações de mercado continuam próximas de suas médias históricas. Além disso, destaca vantagens estruturais da economia brasileira, como a forte exposição a setores ligados a commodities minerais, energia, infraestrutura e recursos naturais, segmentos que continuam atraindo interesse global.

O relatório também observa que o mercado brasileiro mantém características distintas dentro do universo de países emergentes. Diferentemente de bolsas asiáticas fortemente concentradas em tecnologia, o Brasil oferece uma composição mais diversificada, com peso relevante de bancos, empresas de energia, mineração e infraestrutura.

Ainda assim, o UBS entende que, no curto prazo, os riscos políticos, fiscais e monetários tendem a limitar novas valorizações expressivas da Bolsa brasileira. Por isso, o banco decidiu adotar uma posição mais equilibrada, aguardando maior clareza sobre o cenário econômico e eleitoral antes de voltar a assumir uma visão mais positiva para os ativos do país.

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