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B3 dá mais tempo à Raízen para sair da condição de penny stock

Mercado acompanha plano que pode transformar credores nos principais acionistas da companhia

A Raízen ganhou mais algumas semanas para apresentar à B3 uma solução para uma das situações mais delicadas enfrentadas atualmente pela companhia no mercado acionário. A operadora da maior rede integrada de produção de etanol, açúcar e distribuição de combustíveis do país recebeu da bolsa brasileira a extensão do prazo até 8 de julho de 2026 para apresentar as medidas que pretende adotar para reenquadrar suas ações às exigências do mercado.

A decisão ocorre em um momento em que a empresa concentra esforços na negociação de seu plano de recuperação extrajudicial, considerado um dos maiores processos de reestruturação corporativa já conduzidos no país.

Pelas regras da B3, companhias que permanecem por mais de 30 pregões consecutivos com ações negociadas abaixo de R$ 1 precisam apresentar um plano formal para solucionar a situação. Atualmente, os papéis da Raízen são negociados próximos de R$ 0,36, refletindo uma desvalorização acumulada de cerca de 55% ao longo de 2026.

A deterioração do valor de mercado ocorre em paralelo às negociações com credores sobre uma dívida que alcança R$ 75,3 bilhões, dos quais R$ 65,4 bilhões estão incluídos na recuperação extrajudicial.

O principal ponto de atenção para investidores está justamente na estrutura desenhada para a reestruturação financeira. Documentos apresentados aos credores e posteriormente divulgados ao mercado mostram que a companhia propõe converter 45% da dívida reestruturada em participação acionária.

Na prática, a operação poderá transformar aproximadamente R$ 29,4 bilhões em ações da companhia, utilizando como referência o preço de R$ 0,25 por papel. Os credores receberiam units formadas por uma ação ordinária e uma ação preferencial.

A proposta é vista por analistas e participantes do mercado como um dos fatores que ajudam a explicar a forte pressão recente sobre os papéis da empresa. Isso porque a emissão de um volume tão expressivo de novas ações tende a provocar uma diluição relevante da participação dos atuais acionistas.

Além da conversão da dívida em capital, o plano prevê uma injeção adicional de recursos pelos acionistas de referência. A Shell deverá aportar R$ 3,5 bilhões na companhia, também utilizando como base o valor de R$ 0,25 por ação. Os documentos da reestruturação também mencionam a possibilidade de um aporte adicional de R$ 500 milhões por meio de um veículo ligado à Aguassanta Investimentos, holding controladora da Cosan.

Enquanto parte da dívida seria transformada em participação societária, os 55% restantes seriam substituídos por novos instrumentos financeiros vinculados às operações futuras da Raízen Energia e da Raízen Combustíveis, estrutura que antecipa uma possível reorganização dos negócios da companhia.

O mercado acompanha de perto o avanço das negociações porque o sucesso da recuperação extrajudicial depende da adesão dos credores e da aprovação do plano dentro dos prazos estabelecidos. Ao mesmo tempo, investidores avaliam os efeitos que a conversão bilionária da dívida poderá ter sobre a estrutura de capital da empresa e sobre o valor das ações no longo prazo.

A extensão do prazo concedida pela B3 reduz a pressão imediata relacionada à condição de penny stock, mas mantém o foco dos investidores sobre a capacidade da companhia de concluir sua reestruturação financeira e reconstruir sua posição no mercado após um dos períodos mais desafiadores de sua história recente.

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