Os fundos imobiliários de recebíveis, conhecidos como FIIs de papel, concentraram os maiores rendimentos distribuídos aos investidores nos primeiros cinco meses de 2026. O levantamento realizado pela Grana Capital mostra que o ambiente de juros elevados e inflação ainda pressionada continua favorecendo fundos expostos a títulos indexados ao IPCA e ao CDI.
O destaque do período foi o KIVO11, que acumulou yield de 8,84% entre janeiro e maio. O cálculo considera os rendimentos distribuídos no período em relação ao preço das cotas ao final de maio, metodologia diferente do dividend yield tradicional calculado em 12 meses.
Mesmo com a desvalorização das cotas, que passaram de R$ 64,85 no fim de 2025 para R$ 61,10 em maio deste ano, o fundo distribuiu aproximadamente R$ 5,40 por cota aos investidores. Com patrimônio líquido estimado em R$ 187 milhões e cerca de 7,3 mil cotistas, o veículo tem como principal estratégia a aquisição de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).
A composição da carteira ajuda a explicar o desempenho. Segundo o relatório gerencial mais recente, aproximadamente 79% dos CRIs estão atrelados ao IPCA, enquanto os 21% restantes acompanham o CDI. Em um cenário de inflação acima da meta e juros elevados, esses indexadores tendem a reforçar a capacidade de geração de renda dos fundos.
Na segunda posição aparece o LIFE11, também focado em recebíveis imobiliários. O fundo possui patrimônio superior a R$ 358 milhões e distribuiu R$ 0,72 por cota no acumulado do ano. Apesar da queda de 1,56% no valor das cotas no período, o desempenho dos rendimentos garantiu uma das maiores posições do ranking.
O terceiro lugar ficou com o HABT11. Com patrimônio líquido próximo de R$ 775 milhões, o fundo acumulou yield de 7,79% após distribuir R$ 5,70 por cota aos investidores. As cotas, entretanto, registraram recuo de 3,72% no período analisado.
O levantamento reforça uma tendência observada ao longo dos últimos meses: fundos imobiliários de papel seguem entre os principais beneficiários do atual ambiente macroeconômico. Com taxas de juros ainda elevadas e títulos indexados à inflação pagando prêmios relevantes, os FIIs de recebíveis continuam oferecendo uma das maiores distribuições de renda do mercado imobiliário listado.
Ranking dos FIIs com maiores dividend yields em 2026
| Fundo imobiliário | (R$) valor da cota em 29/12/2025 | (R$) valor da cota em 29/05/2026 | Rentabilidade no período | Dividendo em R$ | DY |
|---|---|---|---|---|---|
| Kilima Volkano (KIVO11) | 64,85 | 61,1 | -5,78% | 5,4 | 8,84% |
| Life Capital (LIFE11) | 8,33 | 8,2 | -1,56% | 0,72 | 8,78% |
| Habitat Recebíveis (HABT11) | 76 | 73,17 | -3,72% | 5,7 | 7,79% |
| Fator Verita Multiestratégia (VRTM11) | 7,26 | 7,27 | 0,14% | 0,54 | 7,43% |
| Manati Capital Hedge (MANA11) | 9,26 | 9,26 | 0% | 0,67 | 7,24% |
| Tellus Properties (TEPP11) | 8,65 | 8,68 | 0,35% | 0,62 | 7,18% |
| Polo Crédito Imobiliário (PORD11) | 8,11 | 8,35 | 2,96% | 0,596 | 7,14% |
| Cyrela Crédito (CYCR11) | 8,77 | 8,96 | 2,17% | 0.63 | 7,1% |
| RBR Premium (RPRI11) | 85,21 | 80,49 | -5,54% | 5,69 | 7,08% |
| HSI Ativos Financeiros (HSAF11) | 77,99 | 82 | 5,14% | 5,7 | 6,95% |









