O Santander passou a integrar o grupo de instituições financeiras que busca participar do processo de recuperação da Ambipar em tramitação na Justiça dos Estados Unidos. A adesão foi formalizada nesta segunda-feira (29), reforçando a mobilização de credores que contestam o plano de reestruturação apresentado pela companhia.
Nos documentos encaminhados ao tribunal norte-americano, o Santander informou possuir uma exposição de US$ 136,3 milhões à Ambipar. A Justiça dos Estados Unidos marcou para 24 de julho uma audiência que decidirá se os credores financeiros poderão ingressar formalmente no processo.
Antes do Santander, Bradesco, Banco do Brasil, Sumitomo Mitsui Banking Corporation, ABC Brasil e BTG Pactual já haviam adotado a mesma estratégia. Segundo fontes ouvidas pelo Estadão, o Bank of America também deve solicitar participação na ação. O objetivo do grupo é contestar o plano de recuperação elaborado em conjunto com os detentores de títulos de dívida emitidos no exterior, conhecidos como bondholders.
Os bondholders concentram mais de 50% da dívida da Ambipar e, por isso, possuem maioria para aprovar o plano durante a assembleia de credores. De acordo com informações de mercado, a proposta prevê a transferência de subsidiárias norte-americanas do grupo, entre elas a Ambipar Response, como parte da reestruturação financeira.
A Ambipar entrou em recuperação judicial em outubro do ano passado com um passivo de R$ 10,5 bilhões. Desse total, aproximadamente R$ 5,4 bilhões estão nas mãos dos detentores de títulos emitidos no exterior, enquanto os investidores em debêntures detêm cerca de R$ 3 bilhões e os bancos concentram aproximadamente R$ 2 bilhões em créditos.
Segundo fontes do mercado, o BTG Pactual também teria adquirido cerca de R$ 1 bilhão em títulos da dívida externa e no mercado local, ampliando sua posição entre os credores. O desfecho da disputa judicial poderá influenciar a forma de distribuição dos ativos da empresa e o processo de renegociação das obrigações financeiras, fatores acompanhados de perto por investidores e pelo mercado de crédito.









