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Brasil amplia em 26% exportações para a União Europeia

ApexBrasil aponta avanço das exportações para a Europa e vê diversificação de mercados diante do tarifaço dos Estados Unidos

As exportações brasileiras para a União Europeia ganharam força nos primeiros meses de vigência provisória do acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu. Levantamento da ApexBrasil mostra que, entre maio e junho, as vendas ao mercado europeu cresceram US$ 2 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 10 bilhões, avanço de 26% em relação ao mesmo período de 2025.

No acumulado do primeiro semestre, as exportações para a União Europeia alcançaram US$ 26,9 bilhões, cerca de R$ 137 bilhões, representando aumento de US$ 3 bilhões, ou 12,8%, na comparação anual. Embora a ApexBrasil evite atribuir integralmente esse desempenho ao acordo comercial, a agência afirma que há indícios de que a redução das tarifas já começou a estimular o fluxo de comércio entre o Brasil e os países europeus.

O acordo Mercosul-União Europeia entrou em vigor de forma provisória em 1º de maio, eliminando ou reduzindo tarifas para milhares de produtos. A implementação definitiva ainda depende da aprovação pelo Tribunal de Justiça da União Europeia e pelo Parlamento Europeu. A expectativa é que a abertura comercial fortaleça a competitividade das empresas brasileiras e amplie o acesso a um dos maiores mercados consumidores do mundo.

O fortalecimento das relações comerciais com a Europa ocorre em um momento de maior instabilidade no comércio internacional. As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros levaram o governo e o setor privado a intensificar a estratégia de diversificação de mercados, reduzindo a dependência das exportações para o mercado norte-americano.

Enquanto as vendas para a União Europeia avançaram, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 17,4 bilhões no primeiro semestre, resultado 13% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. Segundo a ApexBrasil, o cenário reforça a necessidade de ampliar a presença do Brasil em mercados como Europa, Ásia e Índia.

A estratégia já começa a apresentar resultados. De acordo com a agência, cerca de 72% das 2.400 empresas acompanhadas passaram a exportar para pelo menos um novo mercado desde o início das recentes turbulências no comércio internacional.

Outro efeito observado foi a diversificação da pauta exportadora brasileira. Além dos produtos tradicionais, o crescimento das vendas para a União Europeia passou a incluir bens industriais e itens de maior valor agregado, segmento apontado como um dos principais beneficiados pelo acordo comercial.

Entre os produtos que mais ampliaram as exportações para o bloco europeu estão o mel, com crescimento de 246,7%, partes de turborreatores, com alta de 141,9%, e o óleo essencial de laranja, que avançou 110,1%. Também registraram expansão as exportações de manga, extrato de café e componentes para motores a diesel.

Um estudo elaborado pela ApexBrasil identificou oportunidades de expansão das exportações em todo o país. São Paulo aparece com 127 oportunidades comerciais para ampliar vendas ao mercado europeu, ficando atrás apenas de Santa Catarina, que lidera o ranking nacional com 167 produtos identificados como potenciais beneficiários da redução tarifária.

O levantamento considera como oportunidade os produtos que já possuem produção consolidada e histórico de exportação para outros mercados, mas que podem ampliar sua presença na União Europeia em razão das novas condições comerciais. Em São Paulo, aproximadamente 4 mil empresas já exportam para o bloco europeu, sendo que a maior parte das oportunidades está concentrada na indústria de transformação.

O Sul concentra o maior potencial de expansão, com Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul reunindo o maior número de produtos aptos a ampliar as exportações. No Nordeste, Bahia, Ceará e Pernambuco apresentam oportunidades relevantes, enquanto Maranhão, Piauí e Alagoas aparecem com menor potencial, refletindo uma pauta exportadora menos diversificada.

Segundo a ApexBrasil, a metodologia utilizada priorizou produtos que já possuem capacidade produtiva e experiência exportadora, permitindo identificar oportunidades mais concretas para aproveitar a abertura gradual do mercado europeu. Para a agência, o acordo Mercosul-União Europeia pode representar um passo importante para diversificar destinos das exportações brasileiras e ampliar a participação de produtos industriais no comércio exterior do país.

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