O Morgan Stanley revisou sua visão para o setor de seguros no Brasil e rebaixou a recomendação de três das principais companhias listadas na Bolsa. O banco passou a recomendar posição abaixo da média do mercado para BB Seguridade (BBSE3) e Caixa Seguridade (CXSE3), enquanto reduziu a recomendação da Porto (PSSA3) para exposição em linha com o mercado, refletindo uma avaliação mais cautelosa sobre o potencial de valorização das ações.
Para a BB Seguridade, a recomendação foi alterada de *equalweight* para *underweight*, com preço-alvo de R$ 31. A Caixa Seguridade também passou de *equalweight* para *underweight*, com preço-alvo de R$ 19. Já a Porto teve sua classificação reduzida de *overweight* para *equalweight*, embora o preço-alvo tenha sido elevado de R$ 58 para R$ 59.
Segundo o banco, o expressivo desempenho das ações das seguradoras ao longo deste ano elevou os múltiplos de negociação para níveis considerados menos atrativos. Além disso, a instituição avalia que o crescimento dos lucros deverá perder força em um ambiente de desaceleração da economia e de manutenção dos juros elevados por um período prolongado.
Na avaliação do Morgan Stanley, embora a taxa Selic mais alta favoreça as receitas financeiras das seguradoras, esse benefício tende a ser parcialmente compensado pelos efeitos negativos da política monetária restritiva sobre a economia. Juros elevados reduzem o ritmo da concessão de crédito, enfraquecem o consumo e limitam a demanda por diferentes modalidades de seguros.
O relatório destaca que o mercado tem concentrado sua atenção nos ganhos financeiros proporcionados pelas aplicações das seguradoras, enquanto subestima a deterioração gradual dos fundamentos operacionais. Para o banco, o setor costuma ser favorecido durante um ciclo de elevação dos juros, mas enfrenta desafios quando as taxas permanecem elevadas por um período prolongado.
As projeções da instituição indicam que a Selic deverá permanecer em torno de 14% nos próximos seis meses e recuar para uma média de aproximadamente 12% em 2027. Nesse cenário, as receitas financeiras continuarão relevantes, mas a desaceleração dos resultados operacionais tende a ganhar peso, com crescimento mais modesto dos prêmios, aumento da sinistralidade em alguns segmentos e maior competição no mercado.
O Morgan Stanley também aponta impactos distintos entre as diferentes linhas de negócios. O seguro prestamista aparece como um dos mais sensíveis ao ambiente de juros elevados, devido à redução da oferta de crédito. Os seguros de vida também podem ser afetados pela menor renda disponível das famílias e pela perda de confiança do consumidor. Já o segmento de automóveis tende a sentir os efeitos indiretos da desaceleração das vendas de veículos e do financiamento.
Nos produtos de previdência e acumulação, o banco observa que aplicações tradicionais de renda fixa se tornam mais competitivas quando os juros permanecem elevados, reduzindo a atratividade desses produtos. Em contrapartida, o segmento de saúde continua apresentando maior resiliência, sustentado pelo nível de emprego, pela formalização do mercado de trabalho e pelo avanço da inflação médica.
No cenário macroeconômico, o Morgan Stanley projeta desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2% em 2026 para 1% em 2027, além de aumento da taxa média de desemprego de 5,6% para 6,7% no mesmo período. Para a instituição, esse ambiente deverá limitar o crescimento da demanda por seguros e tornar a eficiência operacional um fator cada vez mais importante para sustentar os resultados das companhias do setor.










