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BNDES libera R$ 13,5 bilhões para fortalecer companhias aéreas brasileiras

Nova linha terá juros de 4% ao ano, prazo de até 60 meses e busca apoiar expansão, inovação e sustentabilidade do setor aéreo

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou um pacote de R$ 13,5 bilhões para ampliar o acesso ao crédito das companhias aéreas brasileiras e apoiar investimentos no setor. Os recursos serão provenientes do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac) e terão como foco fortalecer a saúde financeira das empresas, estimular a renovação da frota, ampliar a eficiência operacional e incentivar projetos ligados à sustentabilidade.

Do montante anunciado, R$ 8 bilhões serão destinados a linhas de capital de giro. Os financiamentos terão prazo de até 60 meses, carência de 12 meses e taxa de juros de 4% ao ano. A expectativa é que os recursos ofereçam maior liquidez às empresas em um momento em que o setor ainda enfrenta elevados custos operacionais e desafios financeiros.

Os R$ 5,5 bilhões restantes poderão ser utilizados para financiar a aquisição de aeronaves produzidas no Brasil, manutenção de aviões e motores, compra de equipamentos de apoio às operações aeroportuárias e projetos relacionados ao combustível sustentável de aviação (SAF), considerado uma das principais alternativas para reduzir as emissões de carbono do transporte aéreo.

Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a iniciativa faz parte de uma estratégia para fortalecer a competitividade da aviação nacional, ampliar a capacidade de investimento das empresas e acelerar a modernização do setor. O banco será responsável pela operacionalização das linhas de crédito.

Ao apresentar o programa, Mercadante afirmou que as companhias aéreas brasileiras atravessaram a pandemia de Covid-19 sem receber aportes diretos do governo federal, diferentemente do que ocorreu em diversos países. Segundo ele, após um longo processo de renegociação de dívidas e reorganização financeira, as empresas entram agora em uma nova fase, na qual o acesso ao crédito pode impulsionar investimentos e expansão.

O presidente do BNDES também destacou que a nova linha de financiamento busca reduzir os impactos da forte volatilidade dos preços do querosene de aviação. O combustível representa um dos maiores custos das companhias aéreas e sofreu novas pressões em razão das oscilações do mercado internacional de petróleo, intensificadas pelos conflitos no Oriente Médio.

Além do apoio financeiro às empresas, Mercadante afirmou que o fortalecimento das companhias complementa os investimentos realizados pelo banco na infraestrutura aeroportuária brasileira. Segundo ele, a ampliação da capacidade dos aeroportos precisa ser acompanhada pelo fortalecimento das empresas responsáveis pela operação das rotas e pelo transporte de passageiros.

Na avaliação do governo, a combinação entre aeroportos modernizados, empresas financeiramente mais sólidas e investimentos em inovação cria condições para ampliar a oferta de voos, aumentar a conectividade entre cidades brasileiras e fortalecer o turismo, os negócios e a integração regional.

A possibilidade de financiar aeronaves fabricadas no país também pode beneficiar a indústria aeronáutica nacional, estimulando encomendas, preservando empregos e fortalecendo a cadeia produtiva do setor. Já o apoio ao SAF acompanha o movimento global de descarbonização da aviação e busca acelerar a adoção de combustíveis com menor impacto ambiental.

O anúncio ocorre em um momento de recuperação gradual do setor aéreo brasileiro, que voltou a registrar crescimento na demanda por passageiros, mas ainda convive com desafios relacionados ao custo do combustível, à taxa de câmbio e às despesas financeiras. Com o novo pacote, o BNDES pretende ampliar a capacidade de investimento das empresas e contribuir para a expansão sustentável da aviação comercial no país.

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