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Caixa amplia uso de IA e reorganiza rede de agências pelo País

Caixa acelera digitalização, testa novo aplicativo com 300 mil clientes e reduz abertura digital de contas para cerca de 1 minuto e 30 segundos

A Caixa Econômica Federal ampliou o uso de inteligência artificial e afirma já ter reduzido de até 15 dias para menos de 30 minutos o tempo necessário para executar alguns processos internos. A transformação integra uma estratégia de digitalização iniciada há cerca de três anos e acelerada nos últimos 12 meses.

Segundo o presidente da Caixa, Carlos Vieira, a instituição também prepara um superapp para concentrar serviços atualmente distribuídos entre 14 e 16 aplicativos. A nova plataforma está sendo testada inicialmente com 300 mil clientes.

A estratégia busca simplificar a relação com o banco em um momento no qual a abertura digital de contas já supera a realizada presencialmente. Pelo canal online, o processo completo leva, em média, um minuto e meio, segundo Vieira.

Em entrevista durante a Febraban Tech 2026, nesta segunda-feira (24), o executivo afirmou que a modernização exigiu inicialmente uma mudança interna para reduzir burocracia, uso de papel e processos considerados excessivamente complexos. O avanço ganhou velocidade com a adoção da inteligência artificial generativa.

A Caixa também elevou os investimentos em tecnologia. Nos últimos dois anos, praticamente todo o orçamento disponível para a área foi utilizado, depois da elaboração de um plano diretor. Atualmente, mais de 2 mil empregados do banco atuam como desenvolvedores, e metade dos profissionais contratados no último concurso foi destinada à área tecnológica.

A digitalização também terá efeitos sobre a rede física, mas a estratégia não prevê uma retirada generalizada de agências. O banco pretende reduzir unidades em locais onde existe sobreposição e ampliar a presença em regiões sem atendimento bancário.

Vieira citou como exemplo a Avenida Paulista, em São Paulo, onde a Caixa chegou a operar seis ou sete agências. Com a migração de serviços para os canais digitais, a instituição avalia que estruturas desse tipo podem ser redistribuídas.

Em contrapartida, o banco adotou como diretriz ampliar sua presença em localidades com pelo menos 100 mil habitantes que ainda não contem com uma instituição bancária. A manutenção da rede física é considerada necessária principalmente pelo papel da Caixa no pagamento de benefícios e na execução de políticas públicas.

A modernização também busca aproximar tecnologicamente a instituição dos bancos privados e ampliar o relacionamento comercial com clientes. Para Vieira, a presença da Caixa em programas governamentais não garante que o consumidor utilize o banco para outros serviços financeiros.

“Ele vai escolher aquele banco que melhor atenda a sua jornada, por comodidade, por facilidade”, afirmou.

Segundo o presidente, as mudanças realizadas nos últimos três anos reduziram parte da diferença tecnológica que existia entre a Caixa e seus concorrentes. “Aquela Caixa analógica não existe mais”, declarou.

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