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BB inicia renegociação de dívidas de 113 mil clientes do agro

Programa do Banco do Brasil pode alcançar 113 mil clientes rurais e ajudar a reduzir operações em atraso após inadimplência do agro subir para 6,27%

O Banco do Brasil iniciou nesta quarta-feira a renegociação de dívidas rurais por meio do programa federal destinado a produtores e cooperativas afetados por perdas financeiras nos últimos anos. A instituição estima que aproximadamente 113 mil clientes de sua carteira do agronegócio tenham operações potencialmente elegíveis, que podem alcançar R$ 100 bilhões.

A abertura das renegociações ocorre depois de sucessivos trimestres de deterioração da qualidade do crédito rural. No segundo trimestre, a inadimplência acima de 90 dias na carteira agro do BB chegou a 6,27%, ante 3,16% no mesmo período de 2025 e 6,22% nos três primeiros meses deste ano.

Por isso, o banco considera a Medida Provisória 1.376 um dos instrumentos capazes de contribuir para a redução das provisões destinadas a cobrir possíveis perdas com crédito nos próximos meses. Uma recuperação da capacidade de pagamento dos produtores pode diminuir o volume de operações problemáticas e, consequentemente, aliviar a pressão que o agronegócio vem exercendo sobre os resultados da instituição.

A MP autorizou linhas especiais de crédito para reestruturação de dívidas rurais de produtores e cooperativas que acumularam perdas provocadas por eventos climáticos ou condições desfavoráveis de mercado em duas ou mais safras entre 2019 e 2025.

Segundo o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, Gilson Bittencourt, o programa cria condições para reorganizar financeiramente produtores atingidos por sucessivos ciclos de perdas. A expectativa da instituição é que a medida acelere a regularização das operações e contribua para recuperar os índices de pontualidade da carteira.

A renegociação também chega em um momento relevante para o ciclo produtivo. Produtores de grãos, segmento no qual está concentrada parte importante do estresse financeiro do setor, começam a preparar o plantio da safra 2026/27 de soja e milho.

A disponibilidade de crédito para custeio e investimento torna-se mais importante nessa etapa porque parte dos produtores entra na nova safra ainda carregando dívidas anteriores. A combinação entre endividamento elevado, juros altos e menor rentabilidade pode limitar a capacidade de financiar insumos, máquinas e expansão de área.

Na soja, principal produto agrícola brasileiro, analistas esperam que a área plantada na temporada 2026/27 permaneça praticamente estável, interrompendo o ritmo mais forte de expansão observado nos últimos anos. Margens menores, restrição de crédito e custo financeiro elevado estão entre os fatores que limitam novos investimentos.

Para o Banco do Brasil, a efetividade da renegociação terá impacto além da situação financeira dos produtores. Como uma das principais instituições financiadoras do agronegócio, uma redução das operações inadimplentes pode melhorar a qualidade de sua carteira, diminuir a necessidade de provisões e reduzir uma das principais fontes recentes de pressão sobre os resultados do banco.

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