Seis instituições financeiras concentram quase dois terços das dívidas incluídas na recuperação judicial do Grupo Gennius, controlador das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill. Dos R$ 265,2 milhões submetidos à reestruturação, R$ 177,5 milhões são créditos bancários, equivalentes a 66,9% do passivo declarado.
O Bradesco aparece como maior credor financeiro, com R$ 81,4 milhões a receber. O Banco Original ocupa a segunda posição, com R$ 54,9 milhões, seguido pelo Banco Daycoval, com R$ 32,1 milhões. Banco Inter tem créditos de R$ 7,3 milhões, Itaú soma R$ 1 milhão e Ouribank aparece com aproximadamente R$ 746,6 mil.
Além dos bancos, a relação entregue à Justiça inclui fornecedores ligados à operação do conglomerado, entre eles JBS e Seara. A primeira lista apresentada pelo Grupo Gennius reúne 1.496 credores entre pessoas físicas e jurídicas.
A elevada concentração das dívidas em instituições financeiras pode ter peso relevante na negociação do plano de recuperação. Pedro Bortolotto, sócio da Y Consultoria e especialista em reestruturação empresarial, avalia que a capacidade financeira dos bancos reduz a dependência desses credores em relação aos valores devidos individualmente pelo grupo, o que pode favorecer negociações sobre prazos e condições de pagamento.
Essa característica, entretanto, não elimina a necessidade de mudanças operacionais. Segundo Bortolotto, a redução da pressão provocada pelas dívidas financeiras pode criar uma janela para que o Grupo Gennius reveja seu modelo de negócios, produtos, custos e estratégia comercial. Para o especialista, apenas renegociar o passivo não será suficiente se as causas que provocaram o desequilíbrio financeiro permanecerem.
O Grupo Gennius atribui parte da crise aos efeitos acumulados da pandemia, às transformações provocadas pelas plataformas de delivery e ao aumento dos juros. Segundo a companhia, a elevação da Selic de 4% para patamares próximos de 15% encareceu tanto novas captações quanto a rolagem das obrigações existentes, pressionando sua estrutura financeira.
O pedido de recuperação judicial foi apresentado na segunda-feira (24) à Justiça de São Paulo. Com o processamento do caso, as execuções contra as empresas foram suspensas, e os credores ficaram impedidos de interromper contratos exclusivamente em razão do pedido de recuperação.
A KPMG foi nomeada administradora judicial e o Grupo Gennius terá 60 dias, contados de 25 de agosto, para apresentar seu plano de reestruturação. Depois da publicação, os credores terão prazo de 30 dias para apresentar eventuais objeções, etapa que será determinante para as negociações sobre descontos, prazos e demais condições de pagamento.
Apesar da recuperação judicial, o grupo afirma que Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill continuam funcionando normalmente. Até o momento, também não há indicação de fechamento de unidades ou demissões relacionadas ao processo, segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Comércio (CNTC).









