Mesmo após o início do ciclo de redução dos juros, a renda fixa brasileira continua oferecendo retornos elevados. Uma seleção de 15 títulos isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas reúne papéis com remunerações que chegam a IPCA + 10,96% ao ano, além de alternativas prefixadas de até 14,66% e pós-fixadas acima de 100% do CDI.
A lista reúne ativos indicados por XP e Itaú BBA para setembro e inclui oito Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), cinco debêntures incentivadas, uma Cédula de Produto Rural (CPR) e uma Letra de Crédito Imobiliário (LCI). Os vencimentos variam de setembro de 2027 a fevereiro de 2038.
O cenário ocorre após o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a Selic para 14% ao ano em agosto. Apesar da flexibilização monetária, os juros permanecem em patamar elevado, mantendo taxas altas disponíveis no mercado de renda fixa.
A isenção tributária aumenta a importância da comparação do retorno líquido. Como os rendimentos desses papéis não sofrem incidência de IR para a pessoa física, uma taxa aparentemente inferior pode superar, no resultado líquido, a remuneração de determinados investimentos tributados.
Títulos ligados ao IPCA chegam a quase 11% de juro real
Entre os 15 ativos selecionados, oito oferecem remuneração vinculada ao IPCA. Nesse modelo, o investidor recebe a variação da inflação acrescida de uma taxa previamente estabelecida.
A maior remuneração da relação aparece na debênture RIS414, da Águas do Rio 4, com vencimento em setembro de 2034. O papel oferece IPCA + 10,96% ao ano. Considerando o efeito da isenção tributária por meio do chamado gross-up, a remuneração equivale a aproximadamente IPCA + 12,65% em um investimento sujeito ao IR.
A taxa elevada, porém, vem acompanhada de risco maior. O título possui rating brA, com perspectiva negativa, enquanto vários outros ativos da seleção apresentam classificações AAA ou AA+.
O CRI ligado ao Assaí aparece em seguida, com IPCA + 9,52% e vencimento em outubro de 2028. Já o CRI da Log CP oferece IPCA + 8,87%, com vencimento em outubro de 2031.
Entre os emissores de classificação AAA estão ainda Rede D’Or, com CRI remunerando IPCA + 7,59%; Raposo Castelo, com debênture a IPCA + 7,40%; Eletrobras (Axia), com IPCA + 7%; Suzano, com CPR a IPCA + 6,95%; e Engie, cuja debênture oferece IPCA + 6,70%.
Papéis indexados ao IPCA
| Papel | Devedor | Taxa | Vencimento | Rating |
|---|---|---|---|---|
| Debênture RIS414 | Águas do Rio 4 | IPCA + 10,96% | 15/09/2034 | brA / Negativo |
| CRI 21H1078699 | Assaí | IPCA + 9,52% | 16/10/2028 | AAA |
| CRI 24J0943229 | Log CP | IPCA + 8,87% | 15/10/2031 | AA+ |
| CRI 21K0001807 | Rede D’Or | IPCA + 7,59% | 15/12/2036 | AAA |
| Debênture CERT11 | Raposo Castelo | IPCA + 7,40% | 15/03/2029 | brAAA |
| Debênture AXIA18 | Eletrobras (Axia) | IPCA + 7,00% | 15/02/2033 | brAAA |
| CPR 26D00013405 | Suzano | IPCA + 6,95% | 17/03/2036 | AAA |
| Debênture EGIEA6 | Engie | IPCA + 6,70% | 15/02/2038 | AAA |
Os papéis indexados à inflação permitem preservar o poder de compra ao combinar a variação do IPCA com juros reais. Em contrapartida, títulos de prazo mais longo podem apresentar oscilações relevantes de preço caso o investidor precise negociá-los antes do vencimento.
Prefixados oferecem até 14,66% ao ano
A seleção também inclui três alternativas com remuneração prefixada. A maior taxa é encontrada no CRI da Brasil Terrenos, com retorno de 14,66% ao ano e vencimento em agosto de 2032.
O CRI da Multiplan oferece 13,89% ao ano, com vencimento em janeiro de 2031, enquanto a debênture da Coelba apresenta taxa de 13,50% e vencimento em novembro de 2032. No último caso, a XP calcula uma taxa equivalente, considerando o benefício tributário, de 15,19% ao ano.
| Papel | Devedor | Taxa | Vencimento | Rating |
|---|---|---|---|---|
| CRI 25H0243071 | Brasil Terrenos | 14,66% | 16/08/2032 | AA+ |
| CRI 23K0018801 | Multiplan | 13,89% | 15/01/2031 | AAA |
| Debênture CEEBD1 | Coelba | 13,50% | 15/11/2032 | brAAA |
Nos prefixados, a remuneração nominal é conhecida no momento da aplicação caso o título seja mantido conforme suas condições até o vencimento. A atratividade dessa taxa, contudo, depende do comportamento futuro da inflação e dos juros.
Pós-fixados pagam até 101,69% do CDI
Outros quatro papéis acompanham o CDI. O maior percentual é oferecido por um CRI da Brasil Terrenos, com remuneração equivalente a 101,69% do CDI e vencimento em agosto de 2030. O gross-up informado é de 120% do CDI.
Na sequência aparece um CRI do Iguatemi, pagando 93,76% do CDI, equivalente a 110% do CDI quando considerado o benefício tributário. Um CRI da Allos oferece 92% do CDI, enquanto a LCI do Banco Inter paga 86%.
| Papel | Devedor | Taxa | Vencimento | Rating |
|---|---|---|---|---|
| CRI 25H0243074 | Brasil Terrenos | 101,69% do CDI | 15/08/2030 | AA+ |
| CRI 24F1126524 | Iguatemi | 93,76% do CDI | 15/06/2032 | AAA |
| CRI 26C3164285 | Allos | 92% do CDI | 12/03/2031 | AAA |
| LCI | Banco Inter | 86% do CDI | 01/09/2027 | AA+ |
Embora a LCI do Banco Inter apresente o menor percentual nominal da seleção, a comparação muda quando considerada a ausência de IR. Segundo os dados da XP, os 86% do CDI líquidos de imposto correspondem a aproximadamente 103% do CDI em um investimento tributado.
Isenção de IR não elimina o risco
A tributação, no entanto, não deve ser o único critério de avaliação. Há diferenças importantes de risco entre os instrumentos.
LCIs contam com proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), observados os limites e as regras da instituição. CRIs, CPRs e debêntures incentivadas não possuem a mesma cobertura. Nesses casos, o investidor assume diretamente o risco de crédito relacionado à operação e ao emissor.
A classificação de risco ajuda a dimensionar essa diferença. Na seleção, os ratings variam de AAA até brA com perspectiva negativa. Em geral, taxas mais elevadas funcionam como compensação pela percepção de maior risco, prazo ou menor liquidez.
Outro fator é o horizonte de investimento. Alguns títulos vencem apenas na próxima década, chegando a 2038. Quem precisar vender antes pode encontrar preços diferentes dos observados na aquisição em razão da marcação a mercado e das condições de liquidez do mercado secundário.
Por isso, comparar apenas qual papel oferece a maior taxa pode levar a uma leitura incompleta. Prazo, risco de crédito, liquidez, indexador, proteção do FGC e possibilidade de manter o investimento até o vencimento são fatores que precisam ser considerados em conjunto.
As taxas apresentadas são indicativas e podem mudar de acordo com as condições de mercado e a disponibilidade dos títulos. A relação tem como base papéis selecionados por XP e Itaú BBA e dados da Anbima para setembro de 2026.










