Um ciclo mais intenso de redução da Selic pode favorecer principalmente empresas de infraestrutura com receitas previsíveis e geração de caixa de longo prazo, segundo análise do Bank of America (BofA). Dentro desse cenário, Equatorial (EQTL3) e Ecorodovias (ECOR3) aparecem como as principais escolhas do banco.
A avaliação parte da possibilidade de o Banco Central manter o processo de flexibilização monetária até o fim de 2027. Juros menores tendem a elevar o valor presente dos fluxos de caixa futuros, efeito especialmente relevante para companhias que possuem receitas de longo prazo e são vistas pelo mercado como alternativas próximas à renda fixa.
Entre as empresas analisadas, a Equatorial combina duração estimada dos fluxos de caixa de aproximadamente 12 anos com taxa interna de retorno (TIR) real próxima de 12%. O BofA também identifica potencial de geração de valor por meio de aquisições no segmento de distribuição de energia e eventuais avanços regulatórios.
A Ecorodovias, por sua vez, é considerada pelo banco a oportunidade mais descontada entre as concessionárias acompanhadas. A companhia apresenta TIR real estimada em aproximadamente 17%, a maior do grupo analisado, e poderia passar por uma reprecificação caso a queda dos juros seja mais rápida ou profunda do que atualmente incorporado aos preços dos ativos.
Para posições consideradas mais defensivas, o BofA destaca Isa Energia (ISAE4) e Motiva (MOTV3). No caso da Isa Energia, o retorno real estimado está próximo de 10%. O banco calcula ainda potencial adicional superior a 15% caso a companhia consiga solucionar seu passivo previdenciário nos próximos anos.
A Motiva apresenta TIR real próxima de 11% e, na avaliação dos analistas, pode contar com potenciais efeitos de revisões contratuais e processos de reequilíbrio regulatório.
Outra companhia mencionada é a Axia Energia (AXIA3). O BofA considera que a ação possui características para diferentes ambientes de mercado, com dividend yield projetado entre 11% e 15% para 2026 e 2027. A menor duração dos fluxos de caixa também reduz parte da sensibilidade normalmente associada às empresas de infraestrutura.
Fora desses segmentos, a avaliação é mais seletiva. Em shopping centers, o banco identifica desaceleração operacional apesar da manutenção de resultados financeiros considerados sólidos. A Allos (ALOS3) permanece como a preferência do setor, com dividend yield estimado em 13%.
A postura também é cautelosa para telecomunicações. Mesmo depois das correções recentes de Telefônica Brasil (VIVT3) e TIM (TIMS3), o BofA avalia que os múltiplos das empresas ainda não atingiram níveis suficientemente baixos para justificar uma visão mais positiva.
As projeções estão condicionadas ao cenário de juros utilizado pelo BofA e às premissas específicas para cada companhia. Uma trajetória diferente para a Selic, mudanças regulatórias ou alterações nos resultados das empresas podem modificar as estimativas de retorno apresentadas pelo banco.










