A Vinci Compass avalia ampliar sua plataforma de restaurantes no Brasil por meio de uma combinação com a International Meal Company (IMC). As conversas estão em estágio preliminar e envolvem análise dos ativos e dos números das empresas, com interesse particular da gestora pela rede Frango Assado.
Caso avance, a operação poderá criar um grupo com receita estimada em R$ 5,5 bilhões em 2026. A Vinci projeta cerca de R$ 4 bilhões para seus negócios, enquanto a IMC teria aproximadamente R$ 1,5 bilhão. Estimativas de mercado citam valor próximo de R$ 4 bilhões para as operações combinadas, mas não há valuation definido nem proposta formal apresentada.
A Vinci controla 67% da operação brasileira da Bloomin’ Brands, que reúne Outback, Abbraccio e Aussie. A participação foi adquirida em novembro de 2024 pelo fundo VCP IV, em uma transação que avaliou o negócio em R$ 2,06 bilhões. A Bloomin’ permaneceu com os 33% restantes.
Uma eventual combinação com a IMC também seria estruturada por meio do VCP IV. Entre os modelos avaliados está uma incorporação na qual a Vinci se tornaria controladora da companhia resultante. As discussões já chegaram a acionistas e integrantes do conselho da IMC, mas permanecem na fase de troca de informações e avaliação dos ativos.
Além de aumentar a escala da plataforma de alimentação da Vinci, a transação poderia dar às operações da gestora acesso ao mercado acionário por meio da IMC, que já é listada na B3. Essa estrutura funcionaria como uma espécie de IPO reverso e poderia abrir uma alternativa futura de liquidez para investidores dos fundos, além de facilitar novas captações para expansão e aquisições.
Um dos principais obstáculos está no segmento de pizzarias. A Domino’s é controlada pela Vinci por outro fundo, o VCP III, enquanto a IMC opera a Pizza Hut no Brasil. Uma combinação dos ativos sob uma mesma estrutura poderia exigir a venda da Pizza Hut ou outra solução para administrar a sobreposição entre concorrentes.
Segundo fontes ouvidas sobre as negociações, a Vinci já teria identificado potenciais interessados na Pizza Hut, entre eles a BFFC, controladora do Bob’s, e a Zamp. Não há, entretanto, acordo anunciado para a venda da rede nem confirmação de que essa etapa será necessária, uma vez que a própria fusão permanece em análise.
O Frango Assado aparece como um dos ativos de maior interesse para a Vinci por sua presença em rodovias, segmento no qual a gestora pretende ampliar atuação. A estratégia também inclui aeroportos, onde o grupo planeja expandir a presença do Outback.
A IMC atravessa um período de ajuste operacional. No primeiro semestre, sua receita líquida caiu 8,6%, para R$ 776 milhões, enquanto o prejuízo aumentou de R$ 71 milhões para R$ 87 milhões. O resultado financeiro negativo passou de R$ 64 milhões para R$ 114 milhões.
O desempenho varia entre as marcas. As vendas do Frango Assado recuaram 4% entre janeiro e junho, enquanto a Pizza Hut cresceu 10%. Outras operações menores, incluindo Viena e Brunella, registraram queda conjunta de 7,5%. A companhia vem fechando unidades deficitárias, reduzindo alavancagem e vendendo negócios considerados não estratégicos.
Paralelamente às conversas com a Vinci, a IMC negocia mudanças nas condições de suas debêntures. Uma assembleia de credores da quarta emissão está prevista para 21 de setembro e discutirá, entre outros pontos, a extensão do vencimento para outubro de 2029 e autorização para venda de até R$ 500 milhões em ativos no Brasil, além de ativos nos Estados Unidos. Segundo as informações disponíveis, essa negociação com debenturistas não está vinculada às conversas sobre uma eventual fusão.
A possível combinação ainda não representa um acordo fechado. A Vinci informou que não comentaria o assunto, enquanto a IMC afirmou que não se manifesta sobre especulações ou rumores de fusões e aquisições e que eventuais informações relevantes serão divulgadas pelos canais oficiais exigidos pelas regras do mercado de capitais.










