A B3 ampliou nesta segunda-feira (21) sua oferta de derivativos ligados a criptomoedas com a estreia do Contrato Futuro de Bitcoin em Dólares Americanos, identificado pelo ticker BTC. O produto permite negociar a variação futura do Bitcoin com cotação em dólar sem a necessidade de comprar ou manter a criptomoeda em carteira.
Cada contrato equivale a 0,01 Bitcoin e tem seu preço expresso em dólares por Bitcoin. Os vencimentos são mensais, sempre na última sexta-feira, e a liquidação ocorre exclusivamente de forma financeira, tomando como referência o Nasdaq Bitcoin Reference Price – Settlement.
A principal diferença em relação ao contrato de Bitcoin em reais (BIT), que já existe na B3, está na exposição cambial. No BIT, o valor em reais reflete tanto as oscilações internacionais da criptomoeda quanto a movimentação do câmbio. No novo BTC, a cotação é diretamente em dólares.
Isso permite separar com maior precisão os dois componentes. Um participante pode utilizar o BTC para assumir exposição ao preço internacional do Bitcoin e, caso queira administrar o risco cambial de forma independente, combinar a posição com contratos futuros de dólar.
Segundo Marcos Skistymas, diretor de Produtos Listados da B3, a criação do contrato amplia as alternativas disponíveis para participantes que negociam criptoativos e possibilita estruturar estratégias envolvendo Bitcoin e câmbio dentro da infraestrutura da bolsa.
A diferença entre os contratos também abre espaço para operações de valor relativo e arbitragem. Participantes mais experientes podem acompanhar eventuais diferenças de preços entre os futuros denominados em reais e em dólares e relacioná-las ao comportamento do mercado cambial.
Além do novo contrato, a B3 iniciou a Operação Estruturada de Rolagem do Futuro de Bitcoin em Dólares Americanos, identificada pelo código BC1. A ferramenta permite substituir uma posição próxima do vencimento por outra com prazo mais longo em uma única operação.
A chamada rolagem facilita a manutenção de estratégias que ultrapassam o vencimento do contrato original. Em vez de realizar separadamente o encerramento da posição atual e a abertura da seguinte, as duas etapas são executadas de forma estruturada.
O BTC também passou a integrar o Programa de Formador de Mercado de Futuros de Criptomoedas da B3. A iniciativa prevê dez vagas para instituições responsáveis por manter ofertas de compra e venda, contribuindo para a liquidez e para a formação de preços do novo derivativo.
Apesar de acompanhar o Bitcoin, o contrato não envolve a transferência da criptomoeda. Trata-se de um derivativo com liquidação financeira, no qual o participante deposita margem de garantia e fica sujeito a ajustes diários conforme a movimentação das posições.
Essa característica também amplia os riscos. Os contratos futuros podem envolver alavancagem, o que significa que oscilações do ativo podem gerar ganhos ou perdas proporcionalmente maiores que os recursos inicialmente depositados como margem. No caso do Bitcoin, esse fator se soma à elevada volatilidade característica do criptoativo.
Com o lançamento, a B3 passa a oferecer contratos futuros de Bitcoin tanto em reais quanto em dólares, permitindo que participantes escolham entre uma exposição que incorpora o comportamento do câmbio ou uma referência diretamente ligada à cotação internacional da criptomoeda.










