A Genial avalia uma possível venda de sua administradora fiduciária de fundos, que reúne cerca de R$ 140 bilhões, segundo dados da Anbima. Entre os interessados, as conversas que mais avançaram até agora são com o BTG Pactual, de acordo com informações do Pipeline.
As tratativas ainda estão em estágio inicial e podem não resultar em uma transação. Segundo a apuração, a administradora é considerada atualmente um dos principais ativos do grupo Genial, e uma eventual venda poderia reforçar a liquidez da instituição.
O grupo também reúne banco, corretora e gestora de recursos. O banco registrou prejuízo no primeiro semestre e enfrenta desenquadramento dos índices de Basileia, fatores que aumentam a importância de uma eventual entrada de recursos com a venda de ativos.
As negociações ocorrem ainda em um período de pressão reputacional sobre a instituição. Neste mês, a Genial foi citada em uma nova etapa da Operação Carbono Oculto, investigação que também alcançou o executivo Humberto Tupinambá Neto, que deixou o quadro de diretores e sócios da instituição no início de 2026. As menções fazem parte de investigação em andamento e não representam, por si só, conclusão definitiva sobre responsabilidades.
Em agosto, a instituição também foi penalizada pelo Banco Central em processo relacionado a irregularidades em operações de câmbio, comunicações de operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e controles internos. Além de multa, a decisão determinou a inabilitação por quatro anos do sócio André Schwartz.
Schwartz e Rodolfo Riechert são os principais sócios da Genial. Riechert trabalhou por quase duas décadas no Pactual antes de integrar o grupo atual. Segundo o Pipeline, pelo menos uma das conversas sobre a possível transação ocorreu diretamente com André Esteves, do BTG Pactual.
Caso avance, a operação envolveria um negócio responsável pela administração fiduciária de aproximadamente R$ 140 bilhões em fundos. Essa atividade inclui funções de controle e supervisão necessárias ao funcionamento dos veículos, mas o patrimônio administrado pertence aos fundos e seus cotistas — portanto, os R$ 140 bilhões não correspondem ao valor de uma eventual aquisição.
Até o momento, não há informação sobre preço, formato ou cronograma para uma possível operação. As conversas permanecem preliminares e, segundo as fontes citadas pela reportagem, podem ser encerradas sem acordo.










