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BTG vê Gerdau como proteção contra alta do dólar

Gerdau e Suzano estão entre as ações preferidas do BTG para um cenário econômico desafiador

A busca por proteção contra a desvalorização do real e a permanência dos juros em níveis elevados voltou a favorecer empresas brasileiras com operações internacionais, segundo avaliação do BTG Pactual. Em relatório divulgado nesta terça-feira (27), o banco aponta Gerdau (GGBR4) e Suzano (SUZB3) como suas principais escolhas no setor de materiais básicos para enfrentar um cenário de maior instabilidade na Bolsa.

A instituição considera que companhias com receitas vinculadas ao dólar, baixa exposição ao mercado doméstico e estruturas financeiras sólidas podem apresentar desempenho relativamente melhor em períodos de aumento da percepção de risco. Essa característica torna o segmento uma alternativa de proteção para investidores que desejam reduzir a dependência dos movimentos da economia brasileira.

Entre as siderúrgicas, a Gerdau ocupa posição de destaque na análise. Aproximadamente 76% de seu Ebitda, indicador utilizado para medir a geração operacional de resultados, vem da América do Norte. Essa distribuição geográfica permite que a empresa se beneficie da conversão de receitas em dólares para reais quando a moeda brasileira perde valor.

O BTG também ressalta a situação financeira da companhia. A dívida líquida corresponde a cerca de 0,6 vez seu Ebitda, enquanto a classificação de crédito com grau de investimento e a baixa exposição a empréstimos indexados ao CDI reduzem sua vulnerabilidade ao aumento dos juros brasileiros.

Na avaliação do banco, as ações da Gerdau são negociadas por menos de quatro vezes o Ebitda projetado para 2027, com rendimento estimado de fluxo de caixa ligeiramente superior a 10%. Esses indicadores reforçam a percepção de que os papéis apresentam uma relação entre preço e geração de resultados considerada atrativa pela instituição.

O cenário operacional brasileiro, entretanto, continua exigindo atenção. A siderúrgica enfrenta concorrência de produtos importados e demanda doméstica enfraquecida, fatores que pressionam suas margens. O BTG observa que a rentabilidade da operação nacional está próxima de níveis historicamente baixos, ao redor de 10%.

A Vale (VALE3) também possui características de proteção cambial, mas recebe uma avaliação mais cautelosa. Embora suas receitas sejam predominantemente dolarizadas, a mineradora enfrenta incertezas relacionadas aos preços do minério de ferro, aos custos de transporte e às operações do Sistema Norte.

Segundo os cálculos do banco, uma desvalorização de 10% do real poderia elevar entre 7% e 8% o Ebitda da Vale medido em dólares. Apesar desse benefício potencial, a instituição considera que o minério negociado próximo de US$ 90 por tonelada ainda representa um risco para as projeções de resultados.

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3), por sua vez, aparece em posição menos favorável devido à maior sensibilidade às condições de financiamento no Brasil. Em um ambiente de juros elevados, empresas mais dependentes do crédito doméstico podem enfrentar custos financeiros superiores e menor flexibilidade para administrar suas dívidas.

O BTG observa que grandes exportadoras como Gerdau e Vale conseguem acessar mercados internacionais de crédito, com custos de captação em dólar estimados entre 5% e 6%. Essa possibilidade representa uma vantagem em relação a companhias cuja estrutura de financiamento depende mais diretamente das taxas brasileiras.

A preferência por empresas exportadoras não significa, contudo, que o banco espere uma recuperação imediata dos preços das commodities. O relatório reconhece dificuldades persistentes nos mercados de minério de ferro, aço e celulose. A estratégia está concentrada na capacidade dessas companhias de atravessar um período de maior volatilidade com menor exposição aos riscos domésticos.

Para o BTG, a necessidade de proteção das carteiras pode estimular uma redistribuição dos investimentos em direção ao setor de materiais básicos, que ainda apresenta participação relativamente reduzida nas posições dos investidores. Nesse contexto, Gerdau e Suzano são apontadas como as principais alternativas da instituição, pela combinação de exposição ao dólar, situação financeira e preços considerados atrativos.

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