A WEG (WEGE3) passou a integrar a carteira Top 5 do Itaú BBA para dezembro de 2026, em uma estratégia voltada à seleção de empresas com fundamentos considerados sólidos após a forte queda da Bolsa brasileira. A fabricante de equipamentos elétricos substituiu a Eneva (ENEV3) e ganhou espaço no portfólio por sua diversificação internacional e pelas perspectivas de crescimento dos resultados.
A alteração ocorre em um período de maior aversão ao risco no mercado acionário, depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Diante das incertezas sobre a política fiscal e a trajetória dos juros, os analistas do banco passaram a dar maior importância à capacidade das companhias de preservar receitas e lucros em diferentes cenários econômicos.
No caso da WEG, o Itaú BBA destaca a expansão das receitas observada no terceiro trimestre e a possibilidade de revisões positivas nas estimativas de lucro para 2027. A instituição também considera que a presença da empresa em diferentes mercados reduz sua dependência das condições econômicas brasileiras.
Outro fator favorável é a exposição da fabricante a segmentos com perspectivas de expansão estrutural, como eletrificação, redes de transmissão e distribuição de energia, data centers, inteligência artificial e sistemas de armazenamento de eletricidade. Essas atividades sustentam a avaliação de crescimento de longo prazo apresentada pelos analistas.
O preço das ações também entrou na análise. Segundo o banco, a WEG negocia próxima de 25 vezes o lucro projetado, múltiplo aproximadamente 15% inferior à sua média histórica. Embora os papéis tenham avançado cerca de 12% nas últimas semanas, o desempenho acumulado no ano permanece próximo da estabilidade.
A empresa é conhecida no mercado como uma das chamadas fábricas de bilionários da Bolsa brasileira, expressão associada à valorização de suas ações ao longo dos anos e à presença de integrantes das famílias controladoras entre os brasileiros mais ricos. O Itaú BBA, entretanto, fundamenta sua recomendação nas perspectivas operacionais e financeiras da companhia.
Com a entrada da WEG, a carteira Top 5 passa a reunir Embraer (EMBJ3), XP (XPBR31), WEG (WEGE3), Sabesp (SBSP3) e Petrobras (PETR4). Cada ativo representa 20% da composição, distribuindo a exposição entre indústria, serviços financeiros, saneamento e energia.
Entre as ações selecionadas, a XP apresenta o maior potencial de valorização estimado pelo banco, de 55,1%, considerando o preço-alvo de R$ 119,60 para o BDR XPBR31. Em seguida aparecem Sabesp, com potencial de 34% e preço-alvo de R$ 33,10, Embraer, com 24,5% e preço-alvo de R$ 124, e Petrobras, com 21,4% e preço-alvo de R$ 64.
Para a WEG, o preço-alvo estabelecido é de R$ 50, equivalente a um potencial de alta de 3,4% em relação à cotação de referência utilizada na análise. A inclusão da fabricante, portanto, está mais relacionada à qualidade dos negócios e às perspectivas de crescimento do que à expectativa de valorização expressiva no curto prazo.
As projeções de dividendos para 2027 também variam entre as empresas. Petrobras lidera a carteira com rendimento estimado de 11,5%, seguida pela XP, com 8,8%, Sabesp, com 3%, WEG, com 1%, e Embraer, com 0,3%.
A atualização ocorre depois de um outubro negativo para a Bolsa. A carteira Top 5 recuou 7,4% no mês, mas superou o desempenho do Ibovespa em 2,5 pontos percentuais. A Petrobras foi o principal destaque positivo, com valorização de 7%, favorecida pela sustentação dos preços do petróleo.
Na direção contrária, Eneva, Sabesp e XP sofreram os efeitos da alta dos juros futuros e da preferência dos investidores por companhias exportadoras e negócios considerados mais defensivos. A saída da Eneva e a entrada da WEG refletem esse reposicionamento da carteira.
Apesar das oportunidades identificadas pelo Itaú BBA, os potenciais de valorização e os dividendos apresentados são estimativas sujeitas às condições de mercado e ao desempenho das empresas. A estratégia combina exposição a crescimento, geração de caixa e distribuição de resultados, sem eliminar os riscos associados à renda variável.
| Empresa | Setor | Código | Peso | Preço-alvo (R$) | Upside | Dividend Yield 2027 |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Embraer | Bens de Capital | EMBJ3 | 20% | 124,00 | 24,5% | 0,3% |
| XP | Bancos e Serviços Financeiros | XPBR31 | 20% | 119,60 | 55,1% | 8,8% |
| WEG | Bens de Capital | WEGE3 | 20% | 50,00 | 3,4% | 1,0% |
| Sabesp | Saneamento e Energia Elétrica | SBSP3 | 20% | 33,10 | 34,0% | 3,0% |
| Petrobras | Energia | PETR4 | 20% | 64,00 | 21,4% | 11,5% |










