O Grupo Porto encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 839 milhões, crescimento de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior. As receitas totais avançaram 10%, alcançando R$ 11 bilhões, enquanto o resultado recorrente recuou 14%, para R$ 713 milhões, refletindo pressões sobre as operações de crédito e saúde.
O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) ficou em 20,7%, ou 17,6% na avaliação recorrente. Apesar do crescimento das receitas em todas as principais áreas de negócios, a companhia enfrentou aumento das perdas de crédito, maior sinistralidade nos planos de saúde e redução do resultado financeiro.
No Porto Bank, as receitas cresceram 13%, para R$ 2 bilhões, impulsionadas pela expansão de 21% em consórcios, 12% em riscos financeiros e 11% nas operações de cartões, financiamentos e empréstimos.
O desempenho, entretanto, foi pressionado pelas perdas de crédito, que aumentaram 48% e atingiram R$ 843 milhões. Segundo a companhia, o resultado reflete um ambiente de crédito mais adverso e uma postura mais conservadora na gestão de riscos, com reforço das provisões.
O lucro líquido do Porto Bank caiu 13%, para R$ 171 milhões. Em contrapartida, o índice de eficiência melhorou 3,3 pontos percentuais, chegando a 27,4%. A empresa informou que as medidas adotadas para melhorar a qualidade da carteira começam a apresentar resultados, embora mantenha cautela diante das condições macroeconômicas.
Na Porto Saúde, a receita avançou 12%, alcançando R$ 2,5 bilhões. O crescimento foi sustentado pela expansão da base de beneficiários, com aumento de 22% no seguro saúde, para 956 mil vidas, e de 16% nos planos odontológicos, que passaram a atender 1,3 milhão de pessoas.
A sinistralidade da operação, contudo, subiu 4,7 pontos percentuais, atingindo 82%. De acordo com a Porto, aproximadamente dois terços dessa elevação decorreram de problemas na cadeia de atendimento oncológico e de um comportamento sazonal atípico entre o segundo e o terceiro trimestre. O restante foi associado ao crescimento orgânico dos sinistros.
Com a pressão dos custos assistenciais, o lucro líquido da Porto Saúde recuou 34%, para R$ 84 milhões.
A Porto Seguro, principal operação do grupo, registrou R$ 6,2 bilhões em receitas e prêmios, crescimento de 9% na comparação anual. O segmento de seguros de automóveis avançou 10%, com acréscimo de 264 mil veículos à carteira, que atingiu 6,5 milhões de automóveis segurados.
Os segmentos patrimonial e de vida apresentaram expansão de 9% e 2%, respectivamente. O índice combinado ampliado ficou em 86%, aumento de 1 ponto percentual, enquanto o lucro líquido recuou 2%, para R$ 443 milhões.
Apesar da redução do lucro, a Porto Seguro manteve o retorno sobre o patrimônio acima de 30% pelo sexto trimestre consecutivo, alcançando ROAE de 32% entre julho e setembro.
Na Porto Serviço, as receitas cresceram 9%, para R$ 660 milhões. As operações de parcerias estratégicas e parcerias Porto avançaram 9% cada, enquanto os produtos digitais registraram expansão de 39%.
O lucro da vertical aumentou 34%, atingindo R$ 52 milhões. A empresa também ampliou sua rede de parcerias estratégicas, que passou a reunir mais de 80 acordos comerciais.
O resultado financeiro consolidado do Grupo Porto somou R$ 309 milhões, queda de 19% em relação ao terceiro trimestre de 2025. A receita da carteira de aplicações financeiras administrada pela tesouraria, excluindo previdência e operações de gestão de ativos e passivos, foi de R$ 355 milhões, equivalente a 63% do CDI.
Segundo a companhia, o desempenho foi afetado principalmente pela baixa contribuição da inflação medida pelo IPCA no trimestre, com impacto sobre títulos contabilizados pela curva de rendimento, e pelo retorno das aplicações em renda variável, inferior ao do Ibovespa.
O índice de eficiência operacional do grupo, calculado pela relação entre despesas administrativas e receitas totais, melhorou 0,4 ponto percentual e encerrou o período em 10,6%.
A digitalização também avançou. Os aplicativos da Porto alcançaram 6,5 milhões de usuários, crescimento de 21%. Entre os 19 milhões de clientes do grupo, foram registradas 186 milhões de interações e atendimentos digitais no trimestre, aumento de 52% na comparação anual.
A companhia informou ainda que mais de 73% dos atendimentos realizados pelo WhatsApp foram solucionados integralmente pelo próprio canal, avanço de 6 pontos percentuais.
No período, o Grupo Porto conquistou a segunda colocação entre as melhores empresas para trabalhar no Brasil na categoria de organizações com mais de 10 mil funcionários, segundo o ranking Great Place to Work. Foi a quinta presença consecutiva da companhia entre as dez primeiras colocadas.
A Porto Seguro também manteve, pelo 13º ano consecutivo, a liderança de lembrança de marca em seu segmento no levantamento Folha Top of Mind, realizado pelo Datafolha.
Para o CEO do Grupo Porto, Paulo Kakinoff, a ampliação dos serviços digitais e os investimentos nas equipes contribuem para sustentar a qualidade do atendimento e a evolução dos negócios.
O balanço do terceiro trimestre mostra que a diversificação das operações continuou sustentando o crescimento das receitas, embora o aumento das perdas de crédito e dos custos assistenciais tenha limitado a expansão dos resultados. A evolução dessas despesas permanece relevante para o desempenho da companhia nos próximos trimestres.
Principais destaques (3T26 em comparação com 3T25):
- Receita total Grupo Porto: R$ 11 bilhões (+10%)
- Lucro líquido recorrente Grupo Porto: R$ 713 milhões (-14%)
- ROAE recorrente Grupo Porto: 17,6% (-5,4 p.p.)
- Lucro líquido Porto Bank: R$ 171 milhões (-13%)
- Lucro líquido Porto Saúde: R$ 84 milhões (-34%)
- Lucro líquido Porto Seguro: R$ 443 milhões (-2%)
- Lucro líquido Porto Serviço: R$ 52 milhões (+34%)









