A Vivara (VIVA3) encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 114,8 milhões, queda de 38,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado ficou ligeiramente acima das expectativas do mercado, mas revelou uma redução expressiva das margens da rede de joalherias, apesar do crescimento das vendas.
Entre julho e setembro, a receita operacional líquida alcançou R$ 692,9 milhões, avanço de 4,3% na comparação anual. A receita bruta, por sua vez, aumentou 7,7%, para R$ 867,4 milhões, impulsionada principalmente pelas categorias de relógios e produtos da marca Life.
O lucro líquido superou a projeção média de R$ 111 milhões dos analistas consultados pela LSEG. A comparação com 2025, entretanto, foi influenciada pelo reconhecimento de R$ 39 milhões em créditos tributários de PIS/Cofins no terceiro trimestre do ano anterior, que elevaram a base de referência.
Excluindo efeitos extraordinários, o lucro líquido ajustado da Vivara somou R$ 119,9 milhões, retração de 22,2% sobre os R$ 154 milhões registrados um ano antes. A margem líquida ajustada passou de 23,2% para 17,3%, uma redução de 5,9 pontos percentuais.
A pressão sobre a rentabilidade também apareceu no resultado operacional. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) reportado ficou em R$ 106 milhões, ante R$ 210 milhões no terceiro trimestre de 2025. Na base ajustada, o indicador totalizou R$ 132,7 milhões, queda de 22,4%, enquanto a margem Ebitda recuou de 25,7% para 19,1%.
A companhia atribuiu parte desse desempenho à menor receita de incentivos fiscais, ao aumento de custos industriais e às despesas relacionadas à expansão das operações. Os gastos operacionais ajustados cresceram 11,3%, alcançando R$ 337,3 milhões, com maiores desembolsos em marketing, pessoal e programas de incentivo de longo prazo.
O comportamento do preço do ouro também influenciou a estratégia comercial. Depois de uma queda de aproximadamente 24% na cotação internacional do metal entre fevereiro e julho, a Vivara moderou os reajustes de preços para preservar a competitividade de determinados produtos. A medida contribuiu para limitar o crescimento das vendas de joias a 2,1% no trimestre.
As demais categorias apresentaram desempenho mais forte. As vendas de relógios avançaram 15,5%, enquanto os produtos Life registraram expansão de 10,3%. Considerando as unidades comparáveis, incluindo o comércio eletrônico, o crescimento das vendas foi de 4,4%, abaixo dos 10,7% observados no mesmo período de 2025.
O canal digital continuou entre os principais vetores de crescimento. As vendas pela internet somaram R$ 140,7 milhões, alta de 25,3% em relação ao ano anterior, e passaram a representar aproximadamente 16% das vendas totais. O aplicativo da companhia respondeu por 31% das operações digitais, com expansão de 144% no volume comercializado por esse canal.
No balanço financeiro, a Vivara apresentou redução do endividamento. A dívida líquida encerrou setembro em R$ 149,7 milhões, ante R$ 354,6 milhões no mesmo mês de 2025. A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado caiu de 0,5 para 0,2 vez, indicando menor alavancagem financeira.
Em outubro, a companhia realizou uma emissão de R$ 300 milhões em debêntures com prazo de cinco anos e remuneração equivalente ao CDI acrescido de 0,65% ao ano. Os recursos foram direcionados principalmente ao refinanciamento de uma obrigação com vencimento previsto para dezembro de 2026.
O balanço mostra uma empresa que continua ampliando suas vendas e reduzindo a dívida, mas enfrenta dificuldades para converter esse crescimento em maior rentabilidade. A evolução das margens, especialmente diante das mudanças nos preços das matérias-primas e das despesas comerciais, permanece como um dos principais pontos de atenção para os investidores.










