Os três maiores bancos privados de varejo do Brasil encerraram o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido combinado de R$ 22,61 bilhões, crescimento de 2,4% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado de Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil ficou praticamente em linha com as expectativas do mercado, mas revelou diferenças importantes no desempenho das instituições diante dos juros elevados e do aumento da pressão sobre o crédito.
O levantamento, elaborado pela Broadcast com base nos balanços das instituições, também aponta avanço de 0,6% na comparação com o segundo trimestre. A projeção média dos analistas consultados pelo Prévias Broadcast era de R$ 22,6 bilhões, indicando que o desempenho conjunto dos bancos correspondeu às estimativas.
O Itaú Unibanco apresentou o maior lucro do grupo, de R$ 12,617 bilhões, acompanhado de retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 23,6%. A instituição manteve indicadores de rentabilidade superiores aos dos concorrentes, apoiada em uma política de concessão de crédito mais seletiva e no controle das despesas. Em contrapartida, registrou desempenho mais fraco em algumas linhas de receita, especialmente nas atividades de banco de investimento.
O Bradesco alcançou lucro de aproximadamente R$ 7,1 bilhões e completou 11 trimestres consecutivos de crescimento na comparação com o período imediatamente anterior. A recuperação dos resultados foi sustentada pelas receitas de prestação de serviços e pela gestão dos custos, embora o ambiente econômico tenha limitado a melhora dos indicadores de rentabilidade.
O retorno sobre o patrimônio do Bradesco ficou em 15,6%, influenciado também por uma operação de aumento de capital de R$ 10 bilhões. Sem esse efeito, o indicador teria alcançado aproximadamente 16,1%. O banco continua executando seu processo de reestruturação, mas enfrenta maior cautela na concessão de crédito diante do endividamento das famílias e empresas.
O Santander Brasil apresentou o desempenho mais pressionado entre os três bancos. Seu lucro líquido recuou 28% na comparação anual, para cerca de R$ 2,9 bilhões, enquanto o retorno sobre o patrimônio caiu para 11,9%, uma redução de 5,6 pontos percentuais. O resultado permanece distante da meta de rentabilidade de 20% até 2028 estabelecida pela controladora espanhola.
A deterioração da qualidade do crédito atingiu as instituições de maneiras distintas. No Santander, as carteiras ligadas ao agronegócio e aos consumidores de menor renda concentraram parte das dificuldades. O Bradesco também registrou pressão sobre a inadimplência, enquanto o Itaú apresentou maior resistência aos efeitos do cenário econômico, favorecido pela composição de sua carteira de empréstimos.
A manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano amplia os desafios para o setor. Embora juros elevados possam favorecer determinadas receitas financeiras, também encarecem os financiamentos, reduzem a capacidade de pagamento dos clientes e aumentam a necessidade de provisões para possíveis perdas com empréstimos.
O cenário fiscal brasileiro acrescenta incertezas às perspectivas dos bancos. Analistas do Citi avaliam que o ambiente posterior às eleições presidenciais reforça a possibilidade de manutenção dos juros em patamares elevados por mais tempo, favorecendo a preferência dos investidores por instituições com geração de caixa consistente e resultados mais previsíveis.
Os balanços do terceiro trimestre mostram que o crescimento agregado dos lucros não representa uma recuperação uniforme do setor bancário. Enquanto o Itaú preserva níveis elevados de rentabilidade e o Bradesco avança gradualmente em sua reestruturação, o Santander enfrenta dificuldades maiores para recuperar seus indicadores. A evolução da inadimplência, do crédito e da política monetária deverá continuar influenciando os resultados das instituições nos próximos trimestres.










