A inflação oficial do país desacelerou em outubro, registrando alta de 0,09%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado, que projetava avanço de 0,16% para o mês, e sucede a alta de 0,48% registrada em setembro.
Com o desempenho de outubro, o IPCA acumula alta de 3,73% no ano e de 4,68% nos últimos 12 meses, também abaixo da estimativa de 4,71% esperada pelos analistas. Apesar da desaceleração, o índice segue acima da meta central de inflação perseguida pelo Banco Central, de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
O movimento de desaceleração foi influenciado pela queda nos preços de três dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados: Artigos de residência (-0,34%), Habitação (-0,30%) e Comunicação (-0,16%). O grupo Habitação exerceu o maior impacto negativo, puxado pela redução de 2,39% na energia elétrica residencial, que sozinha retirou 0,10 ponto percentual do índice geral.
Segundo o IBGE, a queda na conta de luz reflete a mudança da bandeira tarifária de vermelha patamar 2 para vermelha patamar 1, reduzindo a cobrança adicional de R$ 7,87 para R$ 4,46 a cada 100 quilowatts-hora. No acumulado do ano, entretanto, a energia elétrica ainda acumula alta de 13,64%, representando o principal impacto individual no IPCA de 2025 até o momento.
Entre os grupos que apresentaram alta, Vestuário foi o destaque de outubro, com avanço de 0,51%, impulsionado por aumentos em calçados e acessórios (0,89%) e roupas femininas (0,56%). Em seguida, Despesas pessoais subiu 0,45%, com altas relevantes no item empregado doméstico (0,52%) e no pacote turístico (1,97%).
O grupo Saúde e cuidados pessoais teve elevação de 0,41%, o maior impacto positivo do mês (0,06 ponto percentual), sustentado pelos reajustes em artigos de higiene pessoal (0,57%) e nos planos de saúde (0,50%).
Em Transportes, o índice subiu 0,11%, refletindo o aumento das passagens aéreas (4,48%) e dos combustíveis (0,32%). Entre os combustíveis, houve alta no etanol (0,85%), gás veicular (0,42%) e gasolina (0,29%), enquanto o óleo diesel recuou 0,46%.
Já o grupo Alimentação e bebidas registrou variação positiva de apenas 0,01%. A alimentação no domicílio teve queda de 0,16%, puxada pelas reduções nos preços do arroz (-2,49%) e do leite longa vida (-1,88%), enquanto a batata-inglesa (8,56%) e o óleo de soja (4,64%) apresentaram as maiores altas.
A leve desaceleração observada em outubro reforça o quadro de estabilidade inflacionária dos últimos meses, embora a inflação acumulada siga acima da meta estabelecida pelo Banco Central.










