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10 ações que especialistas da Empiricus escolheram para março de 2026

Março chegou com uma novidade que o mercado esperava há meses: o início do ciclo de cortes da Selic. A taxa básica de juros pode terminar 2026 em 12% ao ano — e isso muda bastante o cálculo de quem investe em ações.

Enquanto isso, o Ibovespa já acumula uma alta expressiva em 2026, puxada principalmente por um fluxo de capital estrangeiro que já supera R$ 40 bilhões nos dois primeiros meses do ano. O enfraquecimento do dólar e a instabilidade provocada pelas políticas comerciais de Donald Trump têm empurrado investidores internacionais para mercados emergentes — e o Brasil tem se beneficiado mais do que a maioria.

Mas a pergunta que todo investidor faz agora é: ainda dá tempo de entrar?

O Ibovespa está caro?

Apesar da forte alta recente, o índice ainda negocia em torno de 10 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses — exatamente na média histórica. Isso significa que não há euforia exagerada precificada. E se o ciclo de cortes de juros for mais intenso do que o mercado espera hoje, há espaço real para uma nova rodada de valorização.

Outro fator que anima os otimistas: o cenário político. Flávio Bolsonaro avançou nas pesquisas eleitorais e até empatou com Lula em um levantamento recente. Para o mercado, isso representa a possibilidade de um governo mais focado em equilíbrio fiscal a partir de 2027 — o que abriria espaço para juros ainda mais baixos no médio prazo.

As 10 apostas para março

Analistas da Empiricus Research revisaram sua carteira recomendada e chegaram a uma lista de 10 ações com pesos iguais de 10% cada. As duas novidades do mês são Cyrela (CYRE3) e Axia Energia (AXIA6), que entraram nos lugares de Direcional e Porto — ambas realizadas com lucro.

Veja o raciocínio por trás de cada escolha:

🏋️ SmartFit (SMFT3) — A academia que virou máquina de crescimento

Com mais de 2.000 unidades em 16 países, a SmartFit é a maior rede de academias da América Latina. A tese é simples: o mercado fitness ainda tem muito espaço para crescer no Brasil (penetração de apenas 5%, contra 21% nos EUA), e a empresa está expandindo num ritmo acelerado — mais de 340 novas unidades abertas em um único ano.

A saída recente do fundo Pátria do capital da empresa eliminou uma pressão de venda que pesava sobre as ações há anos. Agora, o caminho parece mais livre.

⚡ Equatorial (EQTL3) — Energia defensiva com potencial ofensivo

A Equatorial distribui energia em regiões desafiadoras do Brasil, e é exatamente aí que mora o valor: seu histórico de transformar concessões problemáticas em operações eficientes é um dos melhores do setor. Com a entrada como acionista de referência da Sabesp, a empresa ganha ainda mais um vetor de crescimento — o saneamento básico.

Perfil defensivo + valuation atrativo = combinação rara.

🚗 Localiza (RENT3) — Líder num mercado ainda inexplorado

Apenas 9% das empresas brasileiras terceirizam sua frota. A Localiza domina 36% desse mercado. A matemática do crescimento potencial é generosa, e a companhia tem vantagens competitivas difíceis de replicar: acesso a crédito barato, escala e os melhores ratings do setor.

Após um período difícil com depreciação de frota e juros altos, os resultados começam a melhorar — e as ações ainda negociam com desconto histórico.

🏦 Itaú (ITUB4) — O banco que não para de surpreender

O maior banco privado da América Latina segue entregando resultados consistentes, com ROE elevado e transformação digital acelerada. Inteligência artificial, migração para a nuvem e experiência do cliente estão no centro da estratégia.

Negocia a 2,5x o valor patrimonial — caro? Não para quem entrega tanto.

💳 Nubank (ROXO34) — A fintech que cresce com disciplina

Mais de 120 milhões de clientes. Presença no Brasil, México e Colômbia. Operações iniciadas nos EUA. E ainda assim, a inadimplência segue controlada — algo raro entre fintechs em fase de expansão acelerada.

O ROE de 28% e o crescimento de lucro esperado acima de 40% para 2026 mostram que o Nubank não é só crescimento: é crescimento com qualidade.

🛢️ Prio (PRIO3) — Petróleo com potencial de dobrar a produção

A maior produtora independente de petróleo do Brasil opera com custos baixos e quase toda a produção é exportada. Mas o grande catalisador ainda não chegou: a expectativa de autorização do IBAMA para exploração do campo de Wahoo pode adicionar 40 mil barris por dia à produção. Somado à aquisição do campo de Peregrino, a empresa pode aumentar sua produção em mais de 90% nos próximos meses.

⚡ Axia Energia (AXIA6) — A nova vida da antiga Eletrobras

Novidade do mês. A Axia Energia — nova marca da Eletrobras privatizada — é a maior geradora e transmissora de energia elétrica da América Latina. Desde a privatização, a empresa acelerou cortes de custos, vendeu ativos não estratégicos e reduziu dívidas.

Com os preços de energia em alta (e sem perspectiva de queda no curto prazo), e negociando a apenas 7,8x EV/EBITDA, o valuation está entre os mais atrativos do setor elétrico.

🏗️ Cosan (CSAN3) — O conglomerado que precisa provar seu valor

Dona de Raízen, Rumo, Compass e Moove, a Cosan é um dos maiores conglomerados de infraestrutura do país. O problema: o mercado aplica um “desconto de holding” excessivo sobre suas ações.

A tese depende principalmente da desalavancagem financeira — e os analistas acreditam que os próximos 12 meses serão decisivos nesse processo, com possíveis vendas de ativos e melhora operacional da Raízen.

🏥 Rede D’Or (RDOR3) — Saúde privada num país que envelhece

75 hospitais, 13 mil leitos, presença em 13 estados. A Rede D’Or é a maior rede hospitalar privada do Brasil — e opera num setor com demanda crescente quase garantida: a população envelhece, os idosos estão mais tempo no mercado formal, e o Brasil ainda tem menos leitos por habitante do que recomenda a OMS.

Após resultados mais fracos no 4º trimestre de 2025, as expectativas do mercado foram recalibradas. Para quem tem horizonte de médio prazo, pode ser um bom ponto de entrada.

🏢 Cyrela (CYRE3) — A incorporadora que sobrevive a qualquer ciclo

Novidade do mês. Enquanto a bolsa subia em fevereiro, Cyrela ficou para trás — sem motivo claro, segundo os analistas. A empresa tem qualidade operacional acima da média, foco em alta e média renda (mais resiliente a juros altos) e estrutura financeira conservadora.

Com a Selic em queda, construtoras com exposição à média renda tendem a se beneficiar bastante. E a Cyrela negocia a apenas 5,6x o lucro projetado para 2026 — desconto difícil de ignorar.

O que ficou de fora — e por quê

Direcional (DIRR3) saiu após uma alta de 17% em fevereiro, bem acima do Ibovespa. Os analistas realizaram lucro para financiar a entrada de Cyrela, que oferece perfil semelhante com maior potencial de valorização agora.

Porto (PSSA3) deixou a carteira com uma performance acumulada de 47,5% desde a inclusão. O capital foi redirecionado para a Axia Energia, que apresenta maior assimetria no momento atual.

O recado final

O mercado brasileiro raramente oferece tantos fatores positivos ao mesmo tempo: juros em queda, fluxo estrangeiro forte, valuation razoável e possível melhora no cenário político-fiscal.

Isso não significa que não há riscos. Uma reversão no comportamento dos investidores estrangeiros, um ciclo de cortes mais tímido do que o esperado ou turbulências globais podem pressionar os ativos. Por isso, a recomendação é manter uma carteira equilibrada — com empresas que entregam mesmo quando o ambiente piora.

As informações deste artigo têm caráter informativo e educacional. Não constituem recomendação de investimento. Consulte um assessor financeiro antes de tomar decisões.

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