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Cade abre processo contra PicPay por suspeita de simulação na compra da seguradora Kovr

Autarquia apura se PicPay, dos irmãos Batista, adquiriu a Kovr diretamente do Banco Master de Vorcaro usando executivos como intermediários

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica abriu processo para investigar a aquisição da seguradora Kovr pelo PicPay, fintech controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, do grupo J&F. O elemento que despertou a atenção da autarquia foi o formato da operação, que apresenta características compatíveis com uma simulação jurídica destinada a ocultar a identidade real do vendedor do ativo.

Para entender a suspeita, é necessário reconstituir a cadeia de transferências do ativo. A Kovr era uma seguradora pertencente ao Banco Master, instituição controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.

Em setembro do ano passado, antes da liquidação, um grupo de executivos adquiriu formalmente a seguradora do Master. Meses depois, esses mesmos executivos aparecem como vendedores da Kovr ao PicPay. O que chamou a atenção do Cade é que a documentação submetida pelas partes à autarquia há duas semanas apresenta lacunas que sugerem que a operação real se deu diretamente entre o Banco Master e o PicPay, com os executivos intermediários funcionando como uma camada formal para encobrir a venda original.

Se essa hipótese se confirmar, a operação configuraria uma tentativa de burlar as obrigações de notificação ao Cade ao estruturar artificialmente a transação como se fosse realizada por partes distintas das que efetivamente negociaram o ativo. A autarquia tem competência para investigar esse tipo de conduta e, caso seja comprovado o dolo, ou seja, a intenção deliberada de simular a operação, pode aplicar multa de até R$ 60 milhões aos envolvidos.

O caso se insere no contexto mais amplo das investigações sobre o Banco Master e sua rede de ativos, que incluem desde a liquidação da instituição pelo Banco Central até as prisões determinadas pelo STF no âmbito da Operação Compliance Zero. A Kovr é um dos ativos que integravam o conglomerado Master e cuja destinação após a liquidação do banco passou a ser monitorada pelos órgãos regulatórios e investigativos.

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