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S&P Global rebaixa rating da Raízen para ‘calote seletivo’

Com 47% dos credores já favoráveis a Raízen precisa chegar a 50% em 90 dias para vincular R$ 65 bi ao plano

A S&P Global Ratings rebaixou nessa quarta-feira (11) o rating de crédito da Raízen na escala nacional Brasil de brCCC- para SD, sigla em inglês para selective default, ou calote seletivo em português. A decisão foi tomada após a joint venture de Cosan e Shell protocolar pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 65 bilhões em dívidas e comunicar que não realizará pagamentos de juros ou principal das obrigações incluídas no plano durante o período de negociação.

A classificação de calote seletivo indica que a agência avalia que a empresa deixou de honrar compromissos financeiros específicos, ainda que não necessariamente todos os seus compromissos. No caso da Raízen, a suspensão dos pagamentos das dívidas abrangidas pelo plano de recuperação extrajudicial acionou o gatilho para o rebaixamento, já que a S&P interpreta a interrupção do serviço da dívida como um evento de default, independentemente de sua natureza negociada.

Os analistas da S&P destacam que o plano de recuperação extrajudicial contempla mais de 90% do passivo total da companhia, cobrindo R$ 65 bilhões de um endividamento total superior a R$ 70 bilhões. A abrangência da operação é incomum e reforça a magnitude do estresse financeiro enfrentado pela empresa. Para que o plano seja vinculante para todos os credores incluídos, é necessária a aprovação de pelo menos 50% dos detentores das dívidas financeiras da companhia. Segundo a própria Raízen, 47% dos credores já manifestaram apoio ao plano, deixando a empresa próxima do quórum mínimo necessário, mas ainda sem a maioria formal exigida.

A empresa tem 90 dias para alcançar a aprovação da maioria dos credores. Durante esse período, os pagamentos de juros e principal das dívidas incluídas no plano ficam suspensos. A obtenção do apoio da maioria dentro do prazo é determinante para o sucesso da reestruturação extrajudicial e para evitar que a situação evolua para um processo de recuperação judicial, modalidade mais ampla e restritiva que já foi o desfecho de outros grandes casos de recuperação extrajudicial no Brasil, como InterCement e Grupo Ocyan.

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