O brasileiro está aberto à inteligência artificial na gestão financeira, mas não abandonou a agência bancária para as decisões mais importantes da vida. Esse é o retrato captado pela edição de 2026 da pesquisa sobre tendências bancárias da Accenture, que ouviu mil pessoas no Brasil como parte de um levantamento global com dez mil clientes em dez mercados.
Os números sobre IA são expressivos. Oitenta e seis por cento dos participantes brasileiros disseram que usariam um assistente de IA capaz de responder perguntas e agir em nome do usuário, como transferir dinheiro parado ou executar transações automáticas. Quase metade desse grupo, 47%, chegaria a mudar de banco se a instituição principal não oferecesse o serviço. A disposição vai além dos serviços financeiros: 73% dos entrevistados usariam uma ferramenta de IA para tarefas cotidianas como comprar mantimentos, eletrônicos ou passagens aéreas, e 75% estão abertos a assistentes financeiros em plataformas fora do ambiente bancário. Esse último dado levanta um sinal de alerta para o setor, já que indica risco de desintermediação, com o consumidor acessando serviços financeiros por canais que não são controlados pelos bancos.
Ao mesmo tempo, a agência física não perdeu relevância para o cliente brasileiro. Setenta e quatro por cento dos entrevistados gostam da ideia de ter o banco como um orquestrador de vida, um polo centralizado para gerenciar eventos de longa duração como a compra de uma casa, o planejamento familiar ou a aposentadoria, em vez de apenas processar transações individuais. Oitenta e nove por cento afirmaram que usariam micro agências ou cabines inteligentes, quiosques automatizados de pequena dimensão que combinam conveniência com presença física.
Para Maurício Barbosa, líder da área de serviços financeiros da Accenture no Brasil, o momento representa uma reinvenção estrutural da relação entre clientes e instituições financeiras. O consumidor passou a demandar não apenas eficiência operacional, mas reconhecimento, recompensa e proteção, o que exige dos bancos uma abordagem que vá além do produto financeiro tradicional. A pesquisa recomenda que as instituições integrem GPTs e plataformas de mensagens mantendo a marca visível, incorporem assistentes de IA em interfaces móveis e web com proteções claras de privacidade, e continuem investindo nas agências como espaços que transmitam segurança e solidez.









