O JPMorgan divulgou nesta sexta-feira (24) análise comparativa entre Cogna e Yduqs para o primeiro trimestre de 2026, com conclusão clara: o banco prefere a Cogna, mantém recomendação de compra e projeta desempenho significativamente superior da companhia em relação à concorrente.
Para a Cogna, a projeção de receita líquida é de R$ 2,1 bilhões no trimestre, valor 7% acima do consenso de mercado, com crescimento de 28% sobre o mesmo período do ano anterior. O motor principal é a Kroton, unidade de ensino superior, que deve registrar alta de receita de 11%, acelerando em relação aos 8% do quarto trimestre de 2025. A captação no ensino presencial deve saltar 20%, o que o JPMorgan classifica como diferencial competitivo claro no momento. Em contrapartida, o ensino a distância enfrenta retração de 15% na base anual. O Ebitda ajustado consolidado deve crescer 16%, para R$ 651 milhões, com margem estimada em 31%, compressão de 3,2 pontos percentuais explicada em parte pela antecipação de gastos de marketing que podem ser compensados ao longo do ano.
Apesar do otimismo com o trimestre, o banco revisou para baixo as estimativas de médio prazo. A Selic mais lenta do que o esperado eleva a despesa financeira da Cogna, e as margens da Kroton devem ser menores do que projetado anteriormente. Com isso, o LPA ajustado foi cortado em 10% para 2026 e 16% para 2027. O preço-alvo, no entanto, foi revisado para cima de R$ 5,50 para R$ 6,00, com WACC de 13,7% e ajuste de R$ 668 milhões em contingências líquidas de impostos.
Para a Yduqs, o cenário é de cautela. O banco mantém recomendação neutra e cortou o preço-alvo de R$ 21 para R$ 18,50, com WACC mais elevado de 15%. A receita esperada para o trimestre é de R$ 1,3 bilhão, crescimento de apenas 3,2%, desaceleração frente ao desempenho do fim de 2025. O segmento Digital, principal detrator, teve as estimativas de receita para 2027 cortadas em 18,6%. A captação no ensino presencial deve cair 5% no trimestre.
O ponto positivo na Yduqs é o segmento Premium, liderado pelo IBMEC, que deve crescer 13% com margem projetada de 49% em 2026. Mas não é suficiente para compensar o enfraquecimento do digital. O JPMorgan projeta LPA de R$ 2,03 para a Yduqs em 2026, abaixo do guidance da própria companhia, que prometia entre R$ 2,20 e R$ 3,20. O lucro ajustado esperado para o trimestre é de R$ 139 milhões, 15% abaixo do consenso Bloomberg.
Em termos de valuation, as duas empresas negociam em patamares próximos: Cogna a 5,8 vezes o lucro de 2026 e Yduqs a 5,7 vezes. Se a Selic terminal se estabilizar em 12%, esses múltiplos devem subir levemente para ambas. A diferença está na trajetória operacional: a Cogna tem momentum, a Yduqs tem riscos.









