O C6 Bank decidiu suspender a emissão de títulos de dívida no exterior que marcaria sua entrada no mercado internacional, após investidores demandarem uma taxa de retorno superior à inicialmente projetada. A operação previa captação mínima de US$ 300 milhões em bonds com prazo de três anos, mas acabou sendo interrompida diante do aumento do custo de financiamento.
Segundo o diretor financeiro Philippe Katz, a taxa indicativa apresentada aos investidores girava em torno de 6,20% ao ano, mas a demanda efetiva do mercado apontou para um prêmio próximo de 6,50%. Na avaliação do banco, esse nível de retorno inviabiliza o objetivo estratégico da operação, que era diversificar fontes de captação no exterior sem elevar excessivamente o custo do passivo. O executivo afirmou que, nas condições atuais, a instituição optou por não seguir com a emissão pública, embora mantenha aberta a possibilidade de uma captação privada com a International Finance Corporation, que poderia atuar como investidora âncora com até US$ 50 milhões.
A operação fazia parte de um programa mais amplo de financiamento, que prevê a emissão de até US$ 5 bilhões em títulos de médio prazo, conforme avaliação da Moody’s. O processo contava com coordenação do J.P. Morgan, que possui participação no C6, além de um sindicato formado por instituições como Bradesco BBI, Deutsche Bank, Goldman Sachs, Itaú BBA, Safra e UBS Investment Bank.
O recuo ocorre em um momento de maior seletividade dos investidores internacionais, influenciada pela volatilidade nos mercados globais. O ambiente de incerteza tem sido intensificado pelas oscilações associadas ao conflito no Oriente Médio, que afetam a percepção de risco e encarecem o custo de captação, especialmente para emissores estreantes no mercado externo.
Apesar do cenário adverso, outras companhias brasileiras conseguiram acessar o mercado internacional nas últimas semanas. Entre meados de abril, empresas como Minerva, J&F, Banco do Brasil e Rede D’Or captaram cerca de US$ 2 bilhões em emissões. No mesmo período, o Tesouro Nacional realizou uma operação de grande porte no exterior, levantando o equivalente a 5 bilhões de euros.
Ainda assim, o caso do C6 evidencia um ponto que você não pode ignorar se está olhando esse movimento com superficialidade: o problema não é falta de mercado, é falta de precificação adequada ao risco percebido. Investidor estrangeiro não está “fechado” — ele está seletivo. E banco novo, sem histórico consolidado em dívida internacional, paga esse preço.
Se você olhar com mais rigor, o recuo do C6 não é fraqueza, mas disciplina. O erro seria forçar a captação para “marcar presença” no mercado externo e carregar um custo mais alto por anos. O que está em jogo aqui não é só funding, é reputação de crédito. Uma estreia mal precificada compromete futuras emissões.









