O Magazine Luiza iniciou 2026 no vermelho e apresentou resultados abaixo das expectativas do mercado no primeiro trimestre. A varejista registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 33,9 milhões entre janeiro e março, revertendo o lucro de R$ 11,2 milhões obtido no mesmo período do ano passado.
Na comparação com o quarto trimestre de 2025, quando havia reportado lucro de R$ 124,7 milhões, a deterioração foi ainda mais acentuada.
Considerando os efeitos não recorrentes, o prejuízo líquido contábil atingiu R$ 55,2 milhões.
O desempenho veio abaixo das estimativas dos analistas. Consenso reunido pela Bloomberg apontava expectativa de lucro líquido de aproximadamente R$ 22 milhões no período.
O Ebitda ajustado, indicador utilizado para medir o desempenho operacional da companhia, recuou 5,4% em relação ao primeiro trimestre de 2025, totalizando R$ 717,6 milhões.
A margem Ebitda ajustada caiu para 7,8%, redução de 0,3 ponto percentual na comparação anual.
As vendas totais da companhia, incluindo marketplace, somaram R$ 15,2 bilhões, queda de 5,6% em relação ao mesmo período do ano passado.
Apesar da pressão sobre os números consolidados, o Magazine Luiza destacou o desempenho das lojas físicas como principal vetor de sustentação do trimestre.
Segundo a empresa, o canal físico faturou R$ 5,2 bilhões, crescimento de 7% na comparação anual, ampliando participação de mercado em um ambiente ainda desafiador para o varejo.
“O grande destaque foi o canal físico, que segue crescendo acima do mercado e ampliando seu market share de forma consistente”, afirmou a companhia no relatório de resultados.
Ao fim de março, o Magalu operava com 1.245 lojas, sendo 1.015 unidades convencionais e 230 lojas virtuais.
A receita bruta consolidada ficou em R$ 11,4 bilhões, recuo de 1,8% na comparação anual. Já a receita líquida somou R$ 9,2 bilhões, queda de 2%.
De acordo com a varejista, o resultado reflete a estratégia de priorizar rentabilidade nos canais digitais, enquanto o canal físico permanece como pilar de crescimento e maior resiliência operacional.
No comércio eletrônico, as vendas totalizaram R$ 10 bilhões no trimestre. Desse montante, R$ 6,1 bilhões vieram do estoque próprio da companhia (1P), enquanto o marketplace respondeu por R$ 3,9 bilhões.
As despesas financeiras líquidas atingiram R$ 568,7 milhões, equivalentes a 6,2% da receita líquida. Em relação ao mesmo período do ano passado, houve aumento de 16,5%.
Segundo a companhia, a elevação foi influenciada principalmente pelo avanço da taxa básica de juros. A Selic saiu de 12,25% no início do primeiro trimestre de 2025 para 15% no primeiro trimestre deste ano.
Mesmo diante da piora do lucro, o Magazine Luiza destacou a manutenção da geração de caixa operacional. Nos últimos 12 meses, a companhia gerou R$ 2 bilhões em caixa operacional, sustentada pelo desempenho operacional e pela evolução do capital de giro.
A empresa encerrou março com posição de caixa líquido ajustado de R$ 1,2 bilhão e caixa total de R$ 6,2 bilhões.
Na mensagem da administração, a companhia classificou o primeiro trimestre como um período de transição estratégica.
Segundo o documento, o Magalu busca equilibrar disciplina financeira, proteção de margens e controle de despesas com investimentos em inovação e iniciativas voltadas ao longo prazo.









