A área de Research da Apex Partners avaliou que existe um descompasso entre os fundamentos da economia brasileira e a forma como os ativos nacionais vêm sendo precificados pelo mercado financeiro. A conclusão faz parte do estudo “O Renascimento do Brasil”, apresentado durante evento do grupo BRM NY (Brazilian Regional Markets), realizado na Brazil Week.
O levantamento sustenta que parte relevante do crescimento econômico do país permanece fora do radar tradicional dos investidores e ainda não foi plenamente incorporada aos preços dos ativos negociados na bolsa brasileira. Segundo a Apex, o cenário atual combina expansão regional descentralizada, fortalecimento de setores ligados à economia real e desconto expressivo dos ativos domésticos em relação a mercados internacionais.
De acordo com o estudo, o Ibovespa opera atualmente a 9,3 vezes o lucro projetado das empresas, patamar próximo das mínimas históricas. O relatório calcula que a bolsa brasileira negocia com desconto de 19% em relação aos mercados emergentes e de 45% frente ao índice global MSCI ACWI.
Para a Apex, a assimetria reflete não apenas fatores ligados ao ambiente macroeconômico e fiscal, mas também uma concentração excessiva do mercado financeiro em grandes empresas já consolidadas e nos fluxos direcionados aos principais índices de ações.
O estudo afirma que uma parcela relevante da expansão econômica brasileira ocorre em segmentos pouco representados na bolsa, principalmente nas áreas de agronegócio, infraestrutura, mercado imobiliário e crédito estruturado. A avaliação é que parte das oportunidades relacionadas ao crescimento estrutural do país está mais presente em ativos privados do que nos índices tradicionais do mercado acionário.
A pesquisa também destaca o avanço econômico de estados classificados como “Onças Brasileiras”. O grupo reúne Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Juntos, esses estados representam 36% do Produto Interno Bruto brasileiro e concentram 64% do PIB agropecuário nacional.
Segundo a Apex, o crescimento dessas regiões ocorre de maneira descentralizada e está associado principalmente à expansão do agronegócio, logística, exportações e investimentos em infraestrutura. O estudo argumenta que esse movimento amplia a distância entre a dinâmica da economia real e a composição atual da bolsa brasileira.
O relatório também associa o cenário brasileiro a fatores externos e geopolíticos. Entre os pilares apontados pela pesquisa estão o ambiente internacional de incertezas, que tende a beneficiar países exportadores de commodities, o posicionamento estratégico do Brasil no cenário global e mudanças políticas observadas na América Latina.
Na avaliação da Apex, a próxima fase da economia brasileira poderá exigir uma combinação maior entre investimentos em bolsa e ativos privados, especialmente em setores ligados à produção, infraestrutura e crédito, áreas consideradas mais alinhadas ao crescimento regional observado no país.










