O Banco do Brasil avalia que o ambiente de juros elevados continuará impondo pressão adicional sobre parte relevante de sua carteira de crédito ao longo de 2026. A leitura foi reforçada pelo diretor financeiro da instituição, Giovanne Tobias, ao comentar os efeitos da trajetória mais alta da Selic sobre empresas e operações de crédito do banco.
Segundo o executivo, a instituição trabalhava inicialmente com expectativa de taxa média de juros próxima de 13% neste ano, mas as projeções passaram a indicar um encerramento da Selic entre 13,5% e 14%, elevando também a média esperada para o período. Na avaliação do CFO, a mudança altera a dinâmica de risco em diferentes segmentos da economia e exige postura mais cautelosa na expansão da carteira.
O impacto mais relevante, segundo Tobias, ocorre nas operações voltadas a micro e pequenas empresas, consideradas mais sensíveis ao custo do crédito e ao nível de atividade econômica. O executivo afirmou que o banco passou a adotar critérios mais rigorosos para crescimento dessa carteira diante do aumento do risco de inadimplência em um cenário de juros elevados.
A deterioração das condições financeiras também ocorre em meio ao aumento da inadimplência no agronegócio, segmento que vem sendo acompanhado com maior atenção pelo banco em 2026. O avanço do endividamento de produtores rurais e as dificuldades financeiras em parte do setor adicionaram pressão sobre a qualidade da carteira de crédito da instituição.
No primeiro trimestre, a carteira de pessoa jurídica do Banco do Brasil somou R$ 449 bilhões, com recuo de 1,3% em relação ao trimestre anterior e queda de 2,4% na comparação anual. O desempenho foi influenciado principalmente pela retração das operações com médias, pequenas e grandes empresas.
Apesar do cenário mais restritivo para concessão de crédito, o banco avalia que o ciclo de juros elevados pode gerar efeito positivo sobre a margem financeira bruta da instituição. A expectativa levou o Banco do Brasil a revisar sua projeção de crescimento da margem financeira para uma faixa entre 7% e 11% em 2026.
A margem financeira é uma das principais linhas de resultado dos bancos e reflete a diferença entre receitas obtidas com crédito e despesas de captação. Em períodos de juros mais altos, instituições financeiras tendem a ampliar receitas financeiras, embora o ambiente também eleve o risco de inadimplência e desaceleração da demanda por crédito.
O Banco do Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões, resultado 53% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior. O desempenho ficou próximo da estimativa do mercado, já que o consenso da Bloomberg projetava lucro de R$ 3,42 bilhões para o período.










