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Juros dos EUA sobem a 4,55% e acendem alerta nos mercados globais

A cada dia que passa sem avanço nas negociações entre EUA, Israel e Irã, os mercados ajustam suas expectativas

A expectativa de uma resolução próxima para a Guerra do Golfo diminui a cada dia — e os mercados já começam a incorporar esse cenário de forma mais estrutural em seus preços. Para Mônica Araújo, Economista-Chefe da InvestSmart XP, à medida que o cessar-fogo se mantém frágil e as negociações entre Estados Unidos, Israel e Irã não avançam, os agentes de mercado passam a precificar um impacto mais duradouro do conflito tanto sobre a inflação quanto sobre o crescimento global.

O termômetro mais preciso dessa preocupação, na avaliação da economista, está no mercado de renda fixa — em especial nos títulos governamentais. Os papéis de 10 anos dos Estados Unidos voltaram ao patamar de 4,55%, o mesmo nível registrado em junho de 2025, quando a política comercial de Donald Trump impactava negativamente o ambiente global de comércio. Para Araújo, o retorno a esse patamar em um contexto distinto é um sinal claro de que o mercado passou a tratar o conflito como um risco de duração prolongada, e não mais como um choque passageiro.

A alta nos rendimentos dos títulos americanos não está sendo absorvida de forma isolada. Araújo destaca que o movimento de abertura das curvas de juros é global: títulos de países europeus, asiáticos e latino-americanos também apresentam elevação. O Brasil está inserido nesse contexto, com os títulos de 10 anos se aproximando de 14,3% — voltando ao patamar de abril de 2025. Para a economista, esse forte movimento de abertura da curva de juros tende a contaminar os demais mercados de risco, com impacto negativo tanto sobre as bolsas de valores quanto sobre as moedas, sinalizando a volta da correlação tradicional entre os ativos.

O mecanismo é conhecido: quando o risco de um evento de impacto global aumenta, os investidores recuam, buscam proteção em moedas fortes, reduzem o consumo e ampliam a parcela de seus recursos em ativos de maior liquidez. Esse comportamento cria um ambiente adverso e de difícil navegação para os bancos centrais, que compreendem a natureza do choque de oferta provocado pelo petróleo, mas precisam combater os efeitos secundários desse choque sobre a inflação — sem dispor de instrumentos capazes de resolver um problema que é, em sua essência, geopolítico e estrutural.

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