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Galípolo afirma que economia aquecida dificulta convergência da inflação

Presidente do BC cita inflação de serviços, juros altos e mercado de trabalho aquecido como desafios para desinflação

O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira que o avanço das expectativas de inflação para 2028 tornou mais complexo o trabalho da autoridade monetária e passou a indicar maior persistência das pressões inflacionárias na economia brasileira.

Durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Galípolo disse que a deterioração das projeções para horizontes mais longos é um sinal relevante para o Banco Central, principalmente porque parte dos choques recentes já deveria ter perdido força até aquele período.

Segundo o presidente do BC, o fato de as expectativas para 2028 permanecerem acima da meta de inflação de 3% demonstra que parte do mercado financeiro ainda vê dificuldades para uma convergência consistente dos preços no médio e longo prazo.

Galípolo afirmou que o atual ambiente econômico combina fatores externos e domésticos que aumentam o grau de dificuldade da política monetária. Entre os elementos citados estão choques globais de oferta e a manutenção de uma economia brasileira considerada resiliente mesmo em ambiente de juros elevados.

O presidente do Banco Central mencionou episódios recentes que pressionaram os preços globalmente, incluindo a pandemia de Covid-19, a guerra na Ucrânia, o aumento de barreiras comerciais internacionais e o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã.

Segundo Galípolo, esses eventos elevaram o nível geral de preços em diversas economias e dificultaram o processo de desinflação observado pelos bancos centrais ao redor do mundo.

O presidente do BC também destacou que a inflação de serviços continua pressionada no Brasil, cenário que, segundo ele, reflete uma atividade econômica ainda aquecida, mercado de trabalho resiliente e crescimento da renda das famílias.

Galípolo afirmou que o país vive uma situação considerada incomum em comparação com outras economias, ao sustentar taxas de juros elevadas por período prolongado sem desaceleração significativa do emprego.

Na avaliação do dirigente, esse comportamento sugere a presença de fatores estruturais que reduzem a potência dos mecanismos tradicionais de transmissão da política monetária no Brasil.

O Banco Central mantém atualmente a taxa Selic em patamar elevado na tentativa de conter a inflação e reancorar as expectativas do mercado em torno da meta oficial.

Nos últimos meses, a trajetória das expectativas inflacionárias passou a ganhar peso crescente nas comunicações da autoridade monetária, especialmente diante das preocupações com a inflação de serviços, o cenário fiscal e a resiliência da atividade econômica.

As declarações de Galípolo ocorrem em um momento em que investidores acompanham os sinais do Banco Central sobre o ritmo futuro dos cortes de juros e o tempo necessário para a inflação convergir ao centro da meta.

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