A XP Inc. encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 1,32 bilhão, resultado que representa alta de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior, apesar da leve queda de 0,97% na comparação trimestral. A companhia também registrou crescimento dos ativos sob custódia e forte entrada líquida de recursos impulsionada pelo reembolso de investidores ligados ao caso Banco Master.
Segundo a empresa, a captação líquida no varejo alcançou R$ 38 bilhões entre janeiro e março, favorecida pela injeção extraordinária de aproximadamente R$ 19 bilhões provenientes da devolução de recursos aos investidores expostos a papéis do grupo financeiro ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A XP era a plataforma com maior volume de ativos relacionados às instituições do grupo Master entre seus clientes. Dos cerca de R$ 25 bilhões já devolvidos aos investidores afetados, a companhia informou ter conseguido reter aproximadamente 77% dos recursos dentro da plataforma.
Sem o efeito extraordinário ligado ao caso Master, a captação líquida teria ficado em R$ 14 bilhões, o que representaria queda de 41,7% na comparação anual e recuo de 56,3% frente ao trimestre anterior.
Os ativos sob custódia da XP atingiram R$ 1,529 trilhão ao final de março, avanço de 15,1% em 12 meses e de 2,5% em relação ao trimestre anterior. Considerando os recursos administrados na gestora e em fundos, o total de ativos alcançou R$ 2,142 trilhões, crescimento anual de 21%.
A companhia também reportou aumento de 9% no lucro por ação em 12 meses, impulsionado principalmente pelos programas de recompra de ações. A administração aprovou novo programa de recompra de R$ 1 bilhão e confirmou pagamento de R$ 500 milhões em dividendos previsto para junho.
Segundo a empresa, a combinação entre dividendos e recompras pode levar o retorno total aos acionistas para patamar superior a 10% em 2026, considerando a atual capitalização de mercado.
As receitas da operação de varejo somaram R$ 3,77 bilhões no trimestre, queda de 2,3% frente ao trimestre anterior, mas avanço de 8% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
No banco de atacado, as receitas atingiram R$ 1,15 bilhão, crescimento anual de 26%, embora com retração trimestral de 7,7%. O lucro antes de impostos (EBT) totalizou R$ 1,418 bilhão, alta de 8% em 12 meses e queda de 14% na comparação trimestral.
Segundo o CEO da XP, Thiago Maffra, o desempenho da renda fixa foi impactado pela marcação a mercado dos títulos de crédito mantidos pela companhia no banco de investimento e na tesouraria.
O executivo afirmou que a XP não registrou eventos relevantes de inadimplência e manteve exposição concentrada em ativos considerados de alta qualidade de crédito, classificados entre “AA” e “AAA”.
Apesar da desaceleração no crescimento das receitas, Maffra disse manter confiança no cumprimento das metas financeiras definidas para o ciclo entre 2024 e 2026. Entre os objetivos estão receita anual de R$ 22,8 bilhões, margem EBT de 30% e redução gradual do índice de Basileia para níveis inferiores a 19%. Atualmente, o indicador está em 20,7%.
A XP também anunciou mudanças em sua estrutura de gestão. Gustavo Alejo, executivo com mais de 26 anos de atuação no Santander, assumirá o cargo de diretor financeiro (CFO), substituindo Victor Mansur.
Segundo Maffra, a mudança faz parte do processo de expansão da XP para áreas ligadas a produtos bancários, seguros, crédito e meios de pagamento.
Entre os planos para o segundo semestre está a entrada mais ampla no segmento de crédito para pequenas e médias empresas, com foco em antecipação de recebíveis, duplicatas e soluções ligadas a pagamentos e captura de cartões no comércio.









