O valor das 100 marcas mais valiosas do Brasil alcançou US$ 90,2 bilhões em 2026, segundo levantamento da consultoria Brand Finance. O montante representa crescimento de 14% em relação ao ano anterior e reflete a capacidade das grandes empresas brasileiras de manter relevância junto aos consumidores mesmo em um ambiente econômico marcado por juros elevados, crédito mais restrito e crescimento moderado.
Pelo décimo ano consecutivo, o Itaú manteve a liderança do ranking. A marca foi avaliada em US$ 9,9 bilhões, alta de 15% sobre 2025, consolidando sua posição como a mais valiosa do país. O resultado reforça o peso do setor financeiro na economia brasileira. Sozinho, o segmento bancário responde por mais de um terço de todo o valor das marcas analisadas pela consultoria.
A segunda posição ficou com o Banco do Brasil, avaliado em US$ 5 bilhões. Apesar da relevância da instituição em áreas como crédito rural e financiamento agrícola, a marca registrou recuo de 4% em relação ao ano anterior. O Bradesco aparece na sequência, com valor estimado em US$ 4,7 bilhões, sustentado por iniciativas de gestão de capital e ajustes estratégicos em sua carteira de negócios.
O levantamento também destaca o avanço do Nubank entre as principais marcas do país. Avaliada em US$ 4,2 bilhões, a fintech registrou crescimento de 5% e foi apontada como uma das instituições financeiras com maior potencial de fortalecimento nos próximos anos. Segundo a Brand Finance, o banco digital se destaca por liderar indicadores relacionados à confiança, preferência e vínculo emocional dos clientes.
Além do setor financeiro, alimentos, varejo e petróleo e gás seguem entre os segmentos mais relevantes da economia brasileira. Juntos, esses setores representam 58% do valor total das marcas presentes no ranking.
Entre todas as empresas analisadas, a Antarctica apresentou a maior expansão de valor em 2026. A marca da Ambev registrou crescimento de 125%, alcançando US$ 454 milhões. De acordo com a consultoria, o desempenho foi impulsionado pela ampliação do portfólio e pela expansão da presença junto aos consumidores, especialmente em categorias de bebidas com menor teor de açúcar. Produtos como Guaraná Antarctica Zero e Pepsi Black registraram crescimento expressivo de volume ao longo de 2025.
O estudo também avaliou a força das marcas, indicador que mede fatores como reputação, confiança, familiaridade e percepção dos consumidores. Nesse ranking específico, Porto, Nubank e Sadia ocuparam as três primeiras posições e receberam a classificação AAA+, o nível máximo da metodologia da Brand Finance.
A Porto liderou o indicador com pontuação de 96,9 em uma escala de 100 pontos e valor de marca estimado em US$ 757 milhões. Segundo a consultoria, o resultado reflete a elevada confiança dos consumidores e a expansão da companhia para segmentos como saúde, serviços financeiros e assistência. O Nubank ficou em segundo lugar, com nota de 95,2, enquanto a Sadia alcançou a terceira posição, com pontuação de 93,5 e valor de marca de US$ 2,9 bilhões, crescimento de 35% em relação ao ano anterior.
Para Eduardo Chaves, diretor-geral da Brand Finance no Brasil, o desempenho das líderes do ranking demonstra a capacidade das empresas de combinar escala, digitalização e adaptação às mudanças de comportamento dos consumidores. Na avaliação da consultoria, as marcas mais fortes foram justamente aquelas que conseguiram preservar relevância e competitividade em um cenário econômico mais desafiador.










