O mercado brasileiro de ações registrou em maio o maior fluxo negativo de capital estrangeiro em quase um ano. De acordo com levantamento do Bank of America (BofA), investidores internacionais retiraram R$ 12 bilhões da bolsa brasileira no período, marcando a maior saída líquida mensal desde julho de 2025.
O movimento ocorreu em um ambiente de maior aversão ao risco global e atingiu não apenas o Brasil, mas também outros mercados emergentes. Segundo os estrategistas do banco americano, a combinação entre a reprecificação dos juros nos Estados Unidos, a valorização do dólar e a deterioração do sentimento dos investidores em relação aos países emergentes reduziu o apetite por ativos considerados mais arriscados.
Entre os setores negociados na bolsa brasileira, Energia foi o único que registrou saldo positivo de compras por parte dos investidores estrangeiros. Na direção oposta, Consumo Discricionário concentrou as maiores vendas, refletindo uma postura mais defensiva dos gestores internacionais diante das incertezas econômicas e financeiras.
O relatório mostra que a retirada de recursos também foi observada em outros mercados emergentes. Os fundos dedicados a países emergentes, excluindo a China, registraram saída líquida de US$ 6 bilhões em maio, revertendo a entrada de aproximadamente US$ 8 bilhões observada em abril. O resultado interrompeu uma sequência de oito meses consecutivos de captação positiva para essa classe de ativos.
Outro fator destacado pelo BofA foi a mudança de preferência dos investidores globais dentro do universo emergente. Houve redução de exposição à América Latina e à Índia, enquanto mercados asiáticos como Coreia do Sul e Taiwan receberam novos aportes. Na avaliação dos estrategistas, o movimento indica que a narrativa ligada à tecnologia e à inteligência artificial continua atraindo capital, favorecendo economias mais expostas ao setor.
Apesar da saída observada em maio, o banco ressalta que o fluxo acumulado para mercados emergentes sem a China permanece positivo em 2026. Até o momento, esses mercados receberam US$ 85 bilhões em investimentos, superando os US$ 48 bilhões registrados ao longo de todo o ano anterior.
A leitura do BofA sugere que o movimento recente está mais relacionado ao cenário global e ao reposicionamento de portfólios internacionais do que a fatores exclusivamente domésticos. Ainda assim, a redução do fluxo estrangeiro tende a aumentar a volatilidade da bolsa brasileira e reforça a dependência do mercado local em relação ao comportamento dos investidores globais.










