O Bradesco BBI retomou a cobertura das ações da JHSF (JHSF3) com recomendação de compra e elevou o preço-alvo dos papéis de R$ 10 para R$ 15. A nova estimativa representa potencial de valorização de aproximadamente 42% em relação ao último fechamento e reflete uma visão mais positiva sobre a estrutura financeira da companhia e sua capacidade de geração de caixa nos próximos anos.
Segundo os analistas Bruno Mendonça, Pedro Lobato e Herman Lee, a venda de R$ 5,2 bilhões em estoques imobiliários para o fundo JHSF Capital Desenvolvimento Imobiliário (JCDI11), concluída no fim de 2025, reduziu significativamente a alavancagem da empresa e aumentou a previsibilidade dos resultados da plataforma de ativos geradores de renda. Na avaliação do banco, o mercado ainda não incorporou totalmente essa mudança no perfil financeiro da companhia.
Os especialistas destacam que a tese de investimento está ancorada principalmente nos ativos recorrentes da JHSF, como shoppings, empreendimentos residenciais, aeroporto executivo e negócios ligados à hospitalidade e gastronomia. Apenas esse conjunto de ativos responderia por cerca de R$ 12 dos R$ 15 projetados para o preço-alvo, segundo os cálculos do banco.
Outro ponto enfatizado pelo relatório é a percepção de que os riscos relacionados ao processo de escoamento dos ativos transferidos ao JCDI11 são menores do que os atualmente precificados pelo mercado. O BBI avalia que os custos de construção ainda pendentes, estimados em cerca de R$ 1,2 bilhão, tendem a ser compensados pelo valor residual esperado das cotas subordinadas do fundo, gerando impacto neutro na avaliação da companhia.
Além dos ativos geradores de renda, os analistas atribuem aproximadamente R$ 3 por ação ao extenso banco de terrenos da empresa. O landbank da JHSF possui potencial estimado de Valor Geral de Vendas (VGV) de cerca de R$ 30 bilhões, reforçando as perspectivas de desenvolvimento imobiliário de longo prazo e criando uma importante fonte adicional de valor para os acionistas.
O relatório também chama atenção para os múltiplos considerados atrativos. A JHSF negocia atualmente a cerca de 8 vezes o fluxo de caixa operacional projetado para 2027, em linha com grandes empresas do setor de shopping centers, como Multiplan e Iguatemi. Além disso, o banco estima desconto de aproximadamente 46% em relação ao valor patrimonial líquido da companhia, combinado com retorno recorrente em dividendos próximo de 7% ao ano.
Na avaliação dos especialistas, a geração de caixa deve permanecer robusta ao longo dos próximos exercícios. Os recursos provenientes da operação com o JCDI11, estimados em R$ 3,9 bilhões, devem ser suficientes para financiar os investimentos previstos, sustentar a distribuição de dividendos e apoiar o crescimento operacional da empresa. O Bradesco BBI projeta que o Ebitda dos ativos de renda avance de cerca de R$ 700 milhões em 2026 para R$ 1,2 bilhão em 2029, fortalecendo a capacidade de investimento e remuneração aos acionistas.
Para o banco, a combinação entre redução do endividamento, crescimento operacional, ativos imobiliários de qualidade e potencial de valorização do banco de terrenos sustenta uma visão mais construtiva para a JHSF, justificando a retomada da cobertura com recomendação de compra.









