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Apenas cinco multimercados superam o CDI em 2026; veja quem lidera

Exposição ao mercado internacional e às empresas de inteligência artificial impulsionou os melhores fundos multimercado de 2026

Os fundos multimercado atravessaram um primeiro semestre desafiador em 2026. As mudanças no cenário econômico internacional, a volatilidade dos mercados e as incertezas domésticas dificultaram o desempenho da maior parte das estratégias macro. Como resultado, apenas cinco dos 70 fundos analisados conseguiram superar o CDI entre janeiro e junho, segundo levantamento com dados da Economatica.

O grupo que conseguiu entregar retornos acima do principal referencial da categoria tem uma característica em comum: forte exposição a ativos internacionais, especialmente empresas americanas ligadas à inteligência artificial e ao setor de tecnologia. Em alguns casos, o desempenho acumulado chegou ao equivalente a 450% do CDI no período.

O principal destaque continua sendo o Adam Macro, da Adam Capital. A gestora mantém uma visão positiva para a economia dos Estados Unidos e para o avanço da inteligência artificial, sustentando posições relevantes em ações de empresas de tecnologia americanas e no dólar. Ao mesmo tempo, aposta na queda da bolsa brasileira, na desvalorização do euro e na alta das taxas de juros no mercado doméstico.

Outro fundo entre os melhores desempenhos é o Clave Alpha, da BTG Asset. A estratégia combina posições compradas em ações brasileiras dos setores elétrico e bancário com apostas na queda dos juros de curto prazo no Brasil. No exterior, a gestora aumentou a exposição à Nvidia, ajustou posições em moedas como peso chileno, iene, rand sul-africano e won sul-coreano, além de manter investimentos em commodities como cobre e prata.

Entre os grandes gestores do mercado, apenas o Verde, comandado por Luís Stuhlberger, conseguiu encerrar o semestre acima do CDI. Apesar das perdas com ações brasileiras em junho, o fundo ampliou sua exposição à Bolsa por meio de opções e manteve posições em renda variável internacional. A carteira também continua aplicada em juros reais dos Estados Unidos, ouro, prata e crédito privado brasileiro.

Outro destaque do semestre foi o Parcitas Hedge, da Parcitas Investimentos. O fundo acumulou rentabilidade de 10,44% até junho e 27,72% nos últimos 12 meses, desempenho equivalente a 152,49% e 187,56% do CDI, respectivamente.

Segundo Rodrigo Gatti, diretor de Relações com Investidores da Parcitas, o diferencial da estratégia está na ampla diversificação entre diferentes classes de ativos no Brasil e no exterior. Além das posições em juros, a carteira passou a capturar ganhos relevantes com a valorização das empresas americanas de tecnologia, especialmente as chamadas hyperscalers, que atualmente representam cerca de um terço da exposição em ações.

No mercado brasileiro, aproximadamente 20% da carteira está concentrada em empresas do setor elétrico. A gestora também investe na seguradora americana Chubb, buscando estabilidade e geração recorrente de dividendos. Segundo Gatti, a inteligência artificial representa uma tendência estrutural de longo prazo, o que justifica manter uma alocação relevante no segmento mesmo diante da volatilidade recente.

Além da tecnologia, as commodities também contribuíram para os resultados. A Parcitas registrou ganhos em ativos ligados aos setores de petróleo e gás, além de posições em matérias-primas estratégicas para a cadeia da inteligência artificial, como urânio, alumínio e cobre. A Petrobras esteve entre as apostas da gestora, combinando potencial de valorização, distribuição de dividendos e proteção diante das tensões geopolíticas envolvendo o mercado internacional de petróleo.

Embora a maior parte da carteira esteja atualmente concentrada em ativos internacionais, a gestora afirma acompanhar de perto o cenário brasileiro. A avaliação é que ainda existem incertezas relevantes sobre o ambiente econômico e político doméstico, enquanto o mercado externo continua oferecendo oportunidades consideradas mais atrativas. Segundo a Parcitas, uma melhora nas perspectivas para o Brasil poderá abrir espaço para ampliar novamente a exposição aos ativos locais.

O desempenho dos poucos fundos que superaram o CDI reforça que, em um ambiente marcado por volatilidade e mudanças rápidas nos mercados globais, estratégias diversificadas e com maior presença internacional foram determinantes para preservar retornos e gerar ganhos acima da média da indústria de multimercados.

Fundo No ano (%) 12 meses (%) % CDI ano % CDI 12 meses Volatilidade (%)
Adam Macro Master 31,13 38,96 454,85 263,63 16,84
BTG Clave Alpha Macro 12,37 20,10 180,81 135,97 6,18
Parcitas Hedge FIC 10,44 27,72 152,49 187,56 11,67
Safra Global Equities 9,90 17,34 144,67 117,33 6,52
Verde Master 7,81 17,58 114,11 118,96 5,36

 

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