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Galípolo diz que economia resiliente exige juros altos por mais tempo

Presidente do Banco Central disse que decisões sobre a Selic seguirão dependentes dos dados econômicos e da inflação

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a economia brasileira continua demonstrando resiliência e que esse cenário, aliado às expectativas de inflação acima da meta, exige a manutenção da taxa básica de juros em um patamar restritivo por um período mais prolongado. A declaração foi feita durante participação na Expert XP 2026, em São Paulo.

Segundo Galípolo, tanto a atividade econômica quanto o mercado de trabalho seguem apresentando desempenho consistente, reduzindo a necessidade de uma flexibilização mais rápida da política monetária. O presidente do BC destacou ainda que a deterioração das expectativas de inflação reforça a necessidade de cautela nas próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom).

“O cenário atual demanda taxas de juros em patamar restritivo por um período mais longo”, afirmou. Ele ressaltou que o Banco Central continuará adotando uma postura dependente dos dados econômicos, avaliando cuidadosamente a evolução da inflação, da atividade e do mercado de trabalho antes de definir os próximos passos da política monetária.

As projeções mais recentes do Boletim Focus mostram que o mercado passou a esperar inflação de 4,20% para 2027 e de 3,78% para 2028, ambos os indicadores acima da meta contínua de 3%. Para Galípolo, esse movimento evidencia que as expectativas permanecem desancoradas, fator que dificulta uma redução mais acelerada dos juros.

Atualmente, a taxa Selic está em 14,25% ao ano. O Copom voltará a se reunir no início de agosto para definir o próximo passo da política monetária. Embora parte do mercado ainda espere um corte de 0,25 ponto percentual, aumentaram as dúvidas sobre o ritmo de redução dos juros diante da recente alta do petróleo no mercado internacional.

O presidente do Banco Central afirmou que a instituição acompanha diariamente os impactos das oscilações da commodity, intensificadas pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. Ainda assim, avaliou que o Brasil apresenta uma posição relativamente mais favorável por ser exportador líquido de petróleo e contar com um diferencial de juros que ajuda a reduzir pressões sobre o câmbio.

Galípolo também comentou os possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre a inflação, afirmando que não existe um padrão capaz de permitir conclusões antecipadas sobre seus impactos. Segundo ele, neste momento é difícil distinguir quanto da pressão inflacionária decorre de choques de oferta e quanto está relacionado à força da atividade econômica doméstica.

O presidente do BC reiterou que a autoridade monetária continuará conduzindo a política monetária com “serenidade e parcimônia”, avaliando diferentes cenários para garantir a convergência da inflação à meta. Ele lembrou que o Copom já sinalizou a possibilidade de alternar períodos de pausa e retomada no ciclo de ajustes da Selic, estratégia que busca levar a inflação para o objetivo de 3% no primeiro trimestre de 2028.

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