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Renda fixa já concentra metade da carteira dos investidores de alta renda

Levantamento da Smartbrain mostra avanço da renda fixa e redução de ações e multimercados nas carteiras, com CDBs liderando a preferência

Os juros elevados estão reforçando uma mudança nas carteiras dos investidores de maior patrimônio: mais renda fixa e menos exposição direta à bolsa. Em julho, a classe passou a representar 50,2% dos investimentos desse público, ante 49,3% um ano antes, segundo levantamento da Smartbrain.

O movimento ocorre enquanto a Selic permanece em 14% ao ano, permitindo encontrar retornos elevados em aplicações consideradas mais conservadoras. Ao mesmo tempo, as incertezas relacionadas às eleições contribuem para uma postura mais cautelosa na alocação.

A contrapartida aparece nas demais classes. A participação dos multimercados recuou de 27,85% para 27,1% em 12 meses, enquanto a parcela diretamente aplicada em ações caiu de 7,23% para 6,4%. Previdência privada passou de 8,31% para 8%, e investimentos imobiliários diminuíram de 1,84% para 1,2%.

Somados renda fixa e multimercados — estes últimos com presença relevante de estratégias de crédito privado —, as duas classes concentram atualmente 77,3% do patrimônio analisado.

“Há um ano havia a expectativa de queda das taxas de juros e alguns investidores estavam pensando em aplicar em multimercados. Mas a situação se reverteu”, afirma Henrique Spinosa Netto, sócio-fundador da Smartbrain.

O levantamento considera dados processados pela plataforma da empresa, que analisa diariamente mais de 600 mil extratos de investimentos, com patrimônio médio de R$ 7 milhões. Do total, 37,4% pertence a investidores de alta renda, com patrimônio entre R$ 300 mil e R$ 3 milhões; 27,7% está no segmento private, entre R$ 3 milhões e R$ 50 milhões; e 3,7% corresponde a clientes com mais de R$ 50 milhões.

CDB pós-fixado domina preferência

Dentro da parcela diretamente investida em títulos de renda fixa, os CDBs pós-fixados aparecem com ampla vantagem, concentrando 57,65% do patrimônio. LCIs e LCAs vêm em seguida, com 14,48%.

O resultado mostra que, diante dos juros elevados, o investidor de maior patrimônio tem privilegiado produtos capazes de acompanhar de perto o CDI, sem aumentar significativamente a exposição às oscilações de mercado.

Segundo Netto, nem mesmo episódios recentes envolvendo instituições financeiras, como o caso do Banco Master, afastaram esses investidores dos CDBs. Na avaliação do executivo, o pagamento realizado pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) aos investidores contribuiu para reforçar a percepção de proteção existente dentro dos limites da garantia.

LCIs e LCAs também permanecem relevantes principalmente pela isenção de Imposto de Renda, apesar da redução na oferta desses papéis.

Já os títulos públicos indexados à inflação representam apenas 3,18% das alocações desse público. A diferença de rentabilidade corrente ajuda a explicar a preferência.

“O IPCA mais 8% ainda é cerca de 13%, enquanto o CDI está rendendo 14%. O cliente busca a maior taxa”, afirma Netto.

A comparação, porém, envolve estratégias distintas. Papéis indexados à inflação oferecem proteção do poder de compra e podem ter prazos mais longos, enquanto aplicações pós-fixadas acompanham os juros correntes. Portanto, a vantagem do CDI no momento não significa necessariamente superioridade em todos os horizontes de investimento.

Tipo de título Indexador Participação (%)
CDBs e títulos tributáveis DI ou Selic – Juros Flutuantes 58%
LCAs e LCIs com efeito da isenção de IR DI ou Selic – Juros Flutuantes 14%
CDBs e títulos tributáveis Inflação 8%
CDBs e títulos tributáveis Pré-fixado 5%
CRI e CRA com efeito da isenção de IR DI ou Selic – Juros Flutuantes 5%
CRI e CRA com efeito da isenção de IR Inflação 4%
Títulos Públicos Inflação 3%
LCAs e LCIs com efeito da isenção de IR Inflação 2%
LCAs e LCIs com efeito da isenção de IR Pré-fixado 0%
CRI e CRA com efeito da isenção de IR Pré-fixado 0%

Crédito privado também ganha espaço

CRIs, CRAs e outros títulos de crédito privado representam 8,17% das aplicações em títulos. Parte relevante dessa exposição, entretanto, ocorre indiretamente por meio de fundos especializados.

Entre as gestoras presentes nas carteiras aparecem Ibiúna Credit, Solis, Artesanal, Valora, Ouro Preto e Itaú. O formato permite diversificar a exposição entre diferentes emissores, embora o investidor continue sujeito ao risco de crédito dos ativos que compõem cada fundo.

Além dos títulos diretamente adquiridos, cerca de 40% da parcela de renda fixa está em fundos de liquidez, os chamados fundos DI, normalmente concentrados em ativos associados à Selic. A combinação ajuda a explicar o peso alcançado pela renda fixa nas carteiras: parte do dinheiro busca rentabilidade, enquanto outra parcela permanece disponível para liquidez.

Fundo No que investe
ARTESANAL CRED PRIV FIC FI MULTI Crédito privado, principalmente títulos e operações de crédito
SOLIS CAPI AN A CRED PRIV FIC FI MULT LP Crédito privado, com foco em operações estruturadas
PIMCO INCOME FC FI MULTIMERCADO INV EXT Renda fixa global, crédito e títulos internacionais
ROOT C CRED HG PLUS FC FI MULT CRED PRIV Crédito privado, com foco em ativos de maior qualidade
VALORA GUARDIAN ADV FC FI MULT CRED PRIV Crédito privado e ativos de renda fixa
IBIUNA CREDIT FC FI MULT CRED PRIV Crédito privado, com gestão ativa de risco e retorno
OURO PRETO FIC FI MULT CRÉDITO PRIVADO Crédito privado e operações estruturadas
VINCI CRED E SEL AD FC FI MULT CRED PRIV Crédito privado e renda fixa, com gestão ativa
ITAÚ PRECISION ADV MULT CRED PRIV FC Crédito privado e renda fixa, buscando retorno acima do CDI
SAFRA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL FI FIN CLA INV MULT Ativos financeiros diversificados, incluindo renda fixa e crédito

Ações perdem espaço, mas ETFs permanecem relevantes

A redução da participação da renda variável não significa abandono completo da bolsa. Entre os produtos presentes nas carteiras aparecem ETFs como B5P211, DIVO11, HASH11 e IVVB11, oferecendo exposição a renda fixa indexada à inflação, ações pagadoras de dividendos, criptoativos e ao mercado americano.

Segundo Netto, o crescimento desse tipo de produto também está relacionado à expansão dos modelos de cobrança fixa por assessoria, nos quais a remuneração não depende da comissão gerada por cada investimento.

Entre as ações e fundos de renda variável, Petrobras e Banco do Brasil aparecem entre os papéis presentes nas carteiras, além de estratégias voltadas para dividendos.

Os dados da Smartbrain mostram, sobretudo, que a alta renda está aproveitando o atual nível dos juros para reduzir a necessidade de assumir risco adicional. Enquanto a Selic permanecer elevada, CDBs, fundos DI e crédito privado tendem a disputar diretamente o capital que, em ambientes de juros menores, poderia buscar maior exposição a ações e outras estratégias de risco.

Código Empresa / índice
VALE3 Vale S.A.
BBAS3 Banco do Brasil S.A.
PETR4 Petróleo Brasileiro S.A. — Petrobras
B5P211 Itaú B5P Fundo de Índice — IMA-B 5 P2
ITUB4 Itaú Unibanco Holding S.A.
ITSA4 Itaúsa S.A.
DIVO11 Itaú Índice Dividendos (IDIV) Fundo de Índice
BBDC4 Banco Bradesco S.A.
HASH11 Hashdex Nasdaq Bitcoin Reference Price Fundo de Índice
IVVB11 iShares S&P 500 Fundo de Índice

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