O pedido de recuperação extrajudicial da Braskem abriu uma frente de incerteza para investidores que possuem títulos de crédito ligados à petroquímica no mercado brasileiro. A companhia mantém seis instrumentos com saldo devedor de R$ 3,21 bilhões, segundo levantamento da Vitrify, plataforma especializada em crédito privado.
Desse montante, R$ 914,1 milhões estão concentrados em dois Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), adquiridos majoritariamente por pessoas físicas. Na oferta original, esse público ficou com 95,5% da primeira série e 91,8% da segunda, em uma operação que reuniu quase 10 mil subscritores.
Ainda não está claro, porém, quais dos seis títulos mapeados pela Vitrify serão efetivamente atingidos. O fato relevante da companhia não identifica individualmente os instrumentos sujeitos à recuperação e informa que obrigações com fornecedores e clientes ficaram de fora.
Além dos CRAs, existem aproximadamente R$ 2,3 bilhões distribuídos por quatro debêntures das 16ª e 18ª emissões da Braskem. Os papéis BRKMA6, BRKMB6, BRKMA8 e BRKMB8 não possuem garantia cadastrada, e os títulos da 16ª emissão são descritos como quirografários. Por isso, investidores aguardam esclarecimentos sobre a inclusão dessas dívidas no processo.
No caso dos CRAs, os problemas antecedem o pedido de recuperação. A Eco Securitizadora declarou em 26 de junho o vencimento antecipado automático dos títulos depois que terminou, sem resposta, o prazo de uma notificação extrajudicial. A decisão ainda depende das deliberações dos investidores e pode ser revertida. A assembleia dos titulares só foi instalada em 19 de agosto, depois de duas tentativas sem quórum.
A deterioração do risco de crédito já provocou forte desvalorização dos papéis no mercado secundário. A referência média de negociação dos seis instrumentos caiu de 92,9% do valor de face no primeiro semestre de 2025 para 42,9% em 2026, de acordo com a Vitrify.
Em agosto, a pressão aumentou: dos 120 negócios analisados, 106 ocorreram abaixo de 30% do valor de face. Essas operações, porém, responderam por 18,3% do volume financeiro negociado no período.
Os debenturistas também discutem medidas relacionadas às emissões. Assembleias foram iniciadas em 30 de julho e permaneceram suspensas, com retomadas previstas para esta semana.
Desde as emissões, a Braskem já desembolsou R$ 1,35 bilhão em juros, distribuídos em 48 eventos. Até agora, porém, não houve amortização do principal de nenhum dos seis instrumentos identificados pela Vitrify.
Para os investidores, o ponto central passa a ser a definição de quais títulos estarão sujeitos à recuperação extrajudicial e quais condições de pagamento serão propostas pela Braskem.










