A recente valorização do Ibovespa não eliminou a cautela dos investidores com os ativos brasileiros. Pesquisa do Safra Invest mostra que 58,6% dos entrevistados projetam o principal índice da B3 entre 160 mil e 180 mil pontos no encerramento de 2026, patamar inferior aos cerca de 186 mil pontos registrados nesta sexta-feira (11).
No total, aproximadamente 90% esperam que o Ibovespa termine o ano acima dos 160 mil pontos. Para o Safra, as respostas indicam que os participantes ainda enxergam oportunidades no mercado acionário, mas mantêm atenção aos riscos que influenciam a precificação dos ativos.
A postura aparece também nas decisões de alocação. Entre os participantes, 58,6% pretendem manter a exposição à renda variável brasileira e 28,8% planejam aumentá-la. Outros 12,6% indicaram intenção de reduzir a participação da Bolsa nas carteiras. A correção observada entre julho e agosto foi vista por parte dos assessores consultados como oportunidade de entrada.
Apesar disso, a disposição para assumir risco permanece limitada. Para os próximos 12 meses, 52,3% adotam posicionamento neutro em relação ao beta das carteiras, indicador associado à sensibilidade dos investimentos às oscilações do mercado. Outros 36,9% preferem uma estratégia defensiva e apenas 10,8% indicam uma postura mais agressiva.
Os juros continuam no centro das decisões. Para 87,4% dos consultados, a taxa Selic deverá encerrar 2026 entre 13% e 14%. Na avaliação do Safra, esse nível mantém a renda fixa competitiva, especialmente nos títulos indexados à inflação e nos papéis prefixados.
Na Bolsa brasileira, serviços financeiros aparecem como o setor de maior preferência, citado por 32,4% dos participantes. Telecomunicações e tecnologia vêm em seguida, com 23,4%, enquanto utilidades básicas receberam 18% das respostas e commodities, 17,1%.
A situação fiscal e as eleições de 2026 aparecem entre os principais fatores de risco para o mercado doméstico. A maioria dos participantes também espera impacto negativo do processo eleitoral sobre a Bolsa. Para o Safra, a evolução das contas públicas e a definição do cenário político devem continuar influenciando o apetite por risco e os preços dos ativos nos próximos meses.
Fora do Brasil, a tecnologia foi apontada por 35,1% dos entrevistados como a principal oportunidade para o segundo semestre. A Bolsa americana aparece em segundo lugar, com 16,2%, enquanto as ações brasileiras receberam 13,5% das indicações.
O interesse em tecnologia está associado principalmente à expansão da inteligência artificial e aos investimentos necessários para sustentar essa infraestrutura. A leitura dos participantes vai além das grandes empresas de tecnologia e alcança segmentos como datacenters, energia elétrica, armazenamento de dados e fabricantes de semicondutores.
O levantamento mostra, assim, uma combinação de manutenção da exposição aos ativos de risco com maior seletividade. Juros ainda elevados, incertezas fiscais e eleições ajudam a explicar a preferência por carteiras neutras ou defensivas, enquanto setores com resultados mais previsíveis e a cadeia global de inteligência artificial concentram parte das oportunidades identificadas pelos participantes da pesquisa.










