A equipe econômica de Flávio Bolsonaro admite avaliar a privatização de mais de 20 empresas estatais em um eventual governo, mas pretende preservar a Caixa Econômica Federal sob controle público. O Banco do Brasil, por outro lado, poderia entrar na lista de ativos analisados, segundo Daniella Marques, uma das responsáveis pela elaboração do programa econômico do candidato do PL à Presidência.
As propostas foram apresentadas nesta segunda-feira (14), durante evento do Grupo Esfera. Ex-presidente da Caixa e ex-assessora especial do Ministério da Economia, Daniella afirmou que uma eventual agenda de privatizações deverá ser conduzida de maneira cautelosa.
Ao citar o Banco do Brasil, a economista argumentou que a instituição negocia no mercado abaixo de uma vez seu valor patrimonial. A declaração indica que a privatização poderia ser considerada pela equipe, mas não representa uma decisão já tomada ou uma proposta formalizada pelo candidato.
A Caixa teria tratamento diferente. Daniella defendeu a manutenção do banco como instrumento de políticas públicas, principalmente na oferta de crédito e em iniciativas destinadas à renegociação de dívidas das famílias. Na avaliação da economista, o Estado pode exercer papel de desenvolvimento por meio da instituição.
Até mesmo os Correios, tradicionalmente incluídos em discussões sobre desestatização, foram tratados com ressalvas. Daniella avaliou que a empresa, apesar dos resultados financeiros negativos, teria perdido a janela mais adequada para uma privatização.
A equipe também pretende propor alterações na Reforma Tributária, cujo novo sistema começa sua transição em 2027. Daniella criticou a quantidade de exceções incluídas no modelo aprovado pelo Congresso e afirmou que setores de serviços e atividades produtivas foram penalizados. Segundo ela, a intenção não seria reabrir todo o arcabouço, mas realizar ajustes antes que eventuais conflitos sejam levados ao Judiciário.
O controle das contas públicas aparece como outro eixo do programa em elaboração. A ex-presidente da Caixa citou o crescimento da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto e defendeu medidas para conter a expansão das despesas.
Adolfo Sachsida, que atua com Daniella na coordenação do plano econômico e foi ministro de Minas e Energia e secretário de Política Econômica no governo Jair Bolsonaro, apresentou outras propostas consideradas prioritárias.
Entre elas estão a redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) aos níveis de 2022 e o fim do imposto de exportação sobre petróleo. Sachsida afirmou que essas medidas seriam encaminhadas no início de um eventual mandato, com a expectativa da equipe de aprovar as mudanças nos primeiros 18 meses.
Daniella e Sachsida também voltaram a defender a proposta de Flávio Bolsonaro para acabar com a reeleição no Executivo. As declarações mostram que o programa econômico em elaboração combina uma agenda de desestatização seletiva e redução de alguns tributos com a manutenção da Caixa como instrumento de atuação estatal.
As propostas apresentadas pelos assessores ainda integram a construção do programa eleitoral e dependeriam, em caso de vitória, de decisões do Executivo, processos específicos de desestatização e, em diferentes pontos da agenda, da aprovação do Congresso.










