O principal desafio do Brasil nos próximos anos estará no ambiente institucional, e não necessariamente na condução da economia, na avaliação de André Esteves, presidente do conselho de administração do BTG Pactual (BPAC11). Para o executivo, o país avançou na estabilidade macroeconômica, enquanto questões relacionadas ao funcionamento das instituições exigem maior atenção.
Durante painel promovido pelo Grupo Esfera nesta segunda-feira (14), Esteves afirmou que os problemas econômicos possuem caminhos conhecidos e referências internacionais, especialmente na área fiscal. Na esfera institucional, porém, considera que os riscos são mais difíceis de enfrentar.
O banqueiro citou como preocupação o crescimento da informalidade em segmentos regulados e situações em que empresas de pouca expressão econômica conseguem provocar perdas de bilhões de reais. Para ele, episódios dessa natureza indicam fragilidades que precisam ser enfrentadas para preservar o funcionamento das instituições e dos mercados.
Na avaliação de Esteves, o próximo presidente deverá encontrar uma economia mais organizada do que a recebida por governos anteriores em momentos de transição. Ele mencionou os períodos em que Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva assumiram a Presidência como exemplos de contextos macroeconômicos mais desafiadores.
Apesar dessa avaliação, o executivo considera que o Brasil ainda precisa resolver o problema dos juros estruturalmente elevados. Esteves classificou taxas próximas de 14% ao ano como prejudiciais às empresas, inclusive às instituições financeiras.
Segundo ele, um ajuste das contas públicas poderia criar condições para que os juros recuassem para perto de 7%. A estimativa representa a avaliação do executivo e está condicionada à melhora do equilíbrio fiscal, não uma projeção formal para a trajetória da Selic.
Esteves argumentou que a política fiscal expansionista aumenta a necessidade de uma política monetária mais restritiva. Na comparação apresentada pelo banqueiro, estimular a economia pelo gasto público enquanto o Banco Central tenta controlar a demanda com juros elevados equivale a acelerar e frear um veículo simultaneamente.
Na sua avaliação, juros estruturalmente menores teriam efeitos sobre investimentos, atividade empresarial e renda das famílias. Esteves defendeu que o impacto seria particularmente relevante para a população de menor renda, devido ao peso do custo do crédito na economia.
O presidente do conselho do BTG também comentou a eleição presidencial. Para ele, a disputa está virtualmente empatada e deverá ser definida no segundo turno, com resultado potencialmente próximo de 51% a 49%.
Esteves afirmou enxergar, neste momento, uma ligeira vantagem da direita entre os eleitores considerados mais propensos a comparecer às urnas. Ressalvou, contudo, que pequenas mudanças nas pesquisas, a dinâmica das eleições estaduais e seus possíveis efeitos sobre a abstenção podem influenciar o resultado.
A avaliação geral do executivo é que o próximo governo encontrará problemas econômicos para enfrentar, sobretudo no campo fiscal e dos juros, mas que o risco de maior alcance está na capacidade do país de preservar a solidez de suas instituições e do ambiente regulatório.









