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XP indica onde investir na renda fixa após alta dos juros

Juros elevados aumentam a atratividade da renda fixa. Veja a avaliação da XP sobre títulos pós-fixados, prefixados, IPCA+ e crédito privado

A disparada dos juros futuros no Brasil voltou a colocar títulos de renda fixa em patamares de remuneração considerados atrativos pela XP. Em relatório divulgado nesta terça-feira (27), a instituição avalia que as oscilações provocadas pelo resultado das eleições presidenciais abriram novas possibilidades de investimento, principalmente em papéis prefixados e indexados à inflação.

A avaliação ocorre após a forte reprecificação dos ativos financeiros na segunda-feira (26), primeiro pregão depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O movimento elevou as taxas exigidas pelos investidores para financiar a dívida pública e aumentou a volatilidade dos títulos negociados no mercado.

Apesar das oportunidades criadas pela alta dos juros, a XP recomenda cautela na escolha dos vencimentos. Segundo a instituição, os papéis de prazo mais longo estão sujeitos a oscilações mais intensas, especialmente diante das incertezas sobre a trajetória das contas públicas, a inflação e a condução da política monetária.

Os títulos pós-fixados continuam sendo a principal preferência da corretora. Como acompanham indicadores como a Selic e o CDI, essas aplicações permitem aproveitar o nível elevado dos juros com menor exposição às mudanças nas taxas de mercado, em comparação com títulos prefixados e indexados à inflação de prazos semelhantes.

Para os prefixados, a XP recomenda priorizar papéis com duration de até dois anos. Essa medida representa o prazo médio ponderado dos fluxos financeiros do título e ajuda a avaliar sua sensibilidade às variações dos juros. A estratégia busca aproveitar as taxas disponíveis sem assumir exposição excessiva às incertezas de longo prazo.

Nos investimentos atrelados ao IPCA, a instituição identifica oportunidades em títulos de prazo intermediário, com duration próxima de seis anos. Esses papéis oferecem uma taxa de juros real acrescida da inflação, característica que permite preservar o poder de compra quando mantidos até o vencimento, desde que o emissor cumpra suas obrigações.

A XP ressalta, entretanto, que a remuneração contratada não elimina o risco de perdas em uma venda antecipada. Quando as taxas de mercado sobem, os preços dos títulos prefixados e indexados à inflação tendem a cair. O efeito costuma ser mais acentuado nos vencimentos distantes.

O crédito privado também passou a oferecer prêmios mais elevados. Segundo a instituição, a menor disposição dos investidores para assumir riscos pode ampliar a diferença entre as taxas pagas por empresas e aquelas oferecidas pelos títulos públicos. Nas debêntures incentivadas, esse movimento já vinha ocorrendo antes das eleições, influenciado por resgates em fundos e pela redução da liquidez.

Em setembro, os prêmios de risco das debêntures incentivadas alcançaram os maiores níveis em aproximadamente dois anos. Para a XP, as taxas atuais podem representar oportunidades para investidores de longo prazo, desde que a escolha dos ativos considere a capacidade financeira das empresas emissoras.

A preferência da instituição está concentrada em companhias com balanços sólidos, boa geração de caixa e menor necessidade de refinanciamento de dívidas. Também são priorizados títulos de duração curta ou intermediária, como forma de limitar a exposição a novas altas dos juros.

A conclusão da XP é que a renda fixa continua oferecendo alternativas relevantes, mas a seleção dos investimentos ganhou importância. Em vez de concentrar recursos nos papéis com as maiores taxas, a instituição defende uma carteira diversificada, que combine remuneração, qualidade de crédito e prazos compatíveis com os objetivos do investidor.

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