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O peso de um governo que arrecada mais e entrega menos

Governo Lula busca arrecadar mais sem enfrentar a ineficiência dos gastos. A falta de responsabilidade fiscal pesa no bolso de todos, sobretudo dos mais vulneráveis

Por Letícia Bogéa – Analista de Economia do Boletim Nacional

O governo Lula parece ter encontrado uma resposta recorrente para o desequilíbrio das contas públicas: arrecadar mais. Em vez de enfrentar a ineficiência dos gastos e promover um ajuste fiscal consistente, a equipe econômica volta a buscar receitas no bolso do contribuinte.

A possibilidade de cobrar Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre investimentos atualmente beneficiados por alíquota zero é mais um sinal disso. O problema não está apenas na criação de novas cobranças, mas na insistência em transferir à sociedade o custo de uma administração que amplia receitas sem demonstrar o mesmo compromisso com a qualidade das despesas.

O discurso político, frequentemente amparado em apelos sociais, contrasta com a dificuldade de assegurar responsabilidade fiscal. Não basta defender os mais vulneráveis diante das câmeras enquanto se adotam medidas que podem encarecer o crédito, desestimular investimentos e comprometer o crescimento econômico.

A insegurança fiscal tem consequências: pressiona as expectativas de inflação, dificulta a redução dos juros e limita a capacidade de expansão da economia. E quem mais sofre com a perda do poder de compra não é o investidor de maior patrimônio, mas a população de baixa renda, que compromete praticamente todo o orçamento com necessidades básicas.

É preciso abandonar a falsa ideia de que tributar investimentos atinge exclusivamente os mais ricos. O capital financia empresas, o agronegócio, a construção civil e a geração de empregos. Encarecer esse financiamento pode produzir efeitos que ultrapassam o mercado financeiro e alcançam toda a sociedade. Responsabilidade fiscal não se faz apenas aumentando a arrecadação, mas estabelecendo prioridades, eliminando desperdícios e respeitando os limites do dinheiro público. Um governo que promete proteger os mais vulneráveis, mas não enfrenta a própria estrutura de gastos, corre o risco de entregar a eles a conta mais pesada.

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