O Brasil terá papel central na estratégia de expansão da fintech britânica Revolut, que anunciou um investimento inicial de US$ 1 bilhão para ampliar sua presença na América Latina. Os recursos serão distribuídos entre cinco países ao longo dos próximos anos, com foco no crescimento das operações, no desenvolvimento de produtos financeiros e na conquista de novos clientes.
O plano foi apresentado por executivos da companhia durante um encontro com jornalistas em São Paulo, na quinta-feira (5). Além do Brasil, a estratégia contempla México, Colômbia, Peru e Argentina. O valor anunciado representa um compromisso mínimo de investimento e poderá ser ampliado conforme o avanço dos projetos em cada mercado.
A empresa pretende que a América Latina, em conjunto com os Estados Unidos, responda por aproximadamente 25% dos novos clientes conquistados globalmente em 2027. Atualmente, a Revolut possui mais de 80 milhões de usuários e opera em cerca de 40 mercados, com o objetivo de ampliar sua presença para mais de 100 países no longo prazo.
Segundo Glauber Mota, presidente-executivo da Revolut no Brasil, o país é o principal mercado de expansão da companhia e está entre os três que apresentam maior crescimento dentro do grupo. A operação brasileira começou em 2023 e reúne uma instituição financeira regulada e uma empresa de tecnologia, que também desenvolve soluções utilizadas em outros países.
A estrutura instalada no Brasil tem importância para a expansão internacional da fintech. Equipes locais participam do desenvolvimento de sistemas de pagamentos e integrações tecnológicas destinados às operações nas Américas, permitindo que a companhia aproveite soluções já implementadas ao ingressar em novos mercados.
O México também ocupa posição relevante na estratégia. A Revolut iniciou suas operações bancárias no país em 2026 e alcançou 1 milhão de clientes em oito meses. A empresa atribui parte desse desempenho à entrada no mercado com licença bancária completa e uma oferta diversificada de serviços desde o lançamento.
Na Colômbia, a fintech já obteve autorização bancária e realiza os preparativos finais para iniciar o atendimento ao público. No Peru, recebeu a primeira autorização regulatória necessária à constituição de uma instituição bancária. Na Argentina, concluiu a aquisição do controle do Banco Cetelem, anteriormente pertencente ao BNP Paribas, e trabalha para lançar sua operação, possivelmente no segundo semestre de 2027.
A expansão também inclui planos para aumentar a oferta de crédito, embora a companhia afirme que não pretende concentrar seu modelo de negócios nessa atividade. Os executivos defendem uma estratégia de crescimento com controle da exposição financeira, que poderá envolver instrumentos como securitização e venda de carteiras de empréstimos.
No Brasil, a Revolut mantém a intenção de obter uma licença bancária plena, mas ainda não estabeleceu um cronograma para o pedido. A decisão dependerá da evolução da operação e das vantagens financeiras e regulatórias de ampliar sua estrutura. A companhia informou que não possui negociações ativas para adquirir instituições financeiras brasileiras.
O anúncio ocorre na mesma semana em que a Revolut concluiu uma operação com ações que atribuiu à empresa uma avaliação de US$ 115 bilhões, aproximadamente 53% superior à registrada em novembro de 2025. O movimento acompanha o crescimento internacional da fintech, que registrou receita de US$ 6 bilhões e lucro antes de impostos de US$ 2,3 bilhões em 2025.
A entrada de novos recursos na América Latina amplia a capacidade da Revolut de disputar espaço em um mercado marcado pela presença de bancos tradicionais e instituições digitais. No Brasil, a expansão deverá ocorrer em um ambiente de forte concorrência, no qual serviços de pagamentos, câmbio, cartões e crédito já são oferecidos por diversas plataformas financeiras.










